Já faz parte da tradição de Ano-Novo dos brasileiros estabelecer uma lista de resoluções a serem cumpridas ao longo dos meses seguintes. Entre os itens, melhorar a alimentação é um dos mais comuns. No entanto, transformar essa vontade em ações práticas pode ser mais desafiador do que parece.
Fatores como a grande oferta de produtos ultraprocessados, a desinformação nas redes sociais e a popularização de dietas “da moda” ou de soluções “milagrosas” são alguns dos possíveis entraves para quem realmente quer cuidar da saúde.
“Por isso, é importante esclarecer à população que as mudanças no estilo de vida devem ser baseadas em evidências científicas para garantir resultados duradouros”, disse o médico nutrólogo Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita.
Mas, afinal, como estruturar e seguir uma alimentação realmente saudável? Conheça 4 estratégias a seguir.
O Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde em 2014 e que baseia ações de educação alimentar e nutricional do país, estabelece como recomendação central que alimentos in natura ou minimamente processados sejam a base da dieta. Isso inclui frutas, verduras, legumes, grãos, raízes, tubérculos, leite, ovos e carnes. Esses alimentos fornecem fibras, proteínas, vitaminas, minerais e outros compostos bioativos essenciais à saúde.
Por outro lado, deve-se evitar o consumo dos chamados ultraprocessados, que são aqueles produtos com alto teor de açúcar, gordura, sódio, além de conservantes e aditivos. Esses itens servem para intensificar sabor, aroma, textura e o prazo de conservação, mas também têm sido associados em estudos a prejuízos à saúde, como maior risco de obesidade, diabetes e até câncer. Alguns exemplos são salgadinhos, biscoitos recheados, refrigerantes, balas e outros produtos cuja formulação não seja baseada em ingredientes in natura.
Segundo relatório do Ministério da Saúde publicado em 2025, dos 39.000 produtos embalados no país de 2020 a 2024, aproximadamente 60% eram ultraprocessados, e só 18,4% se enquadravam como in natura ou minimamente processados.
Cuidado com o que aquela pessoa que você segue diz. “Os influencers são bons comunicadores, mas boa parte deles sequer tem uma formação em ciências biológicas e, assim, acabam passando informações errôneas para o público”, afirmou Cukier.
Dietas “da moda”, como eliminar completamente os carboidratos da rotina, exagerar no consumo de proteínas e realizar jejum intermitente, podem prejudicar gravemente a saúde. “Toda proposta de redução calórica pode trazer como consequência uma perda de peso. Porém, dificilmente uma dieta restritiva consegue ser mantida a médio ou longo prazo”, declarou o médico do Einstein.
Quanto mais restritiva for a alimentação, mais difícil será mantê-la. “E, quando isso ocorre, a tendência é de que o corpo recupere o depósito energético nas células adiposas que se tinha anteriormente, correndo ainda o risco da formação de novas células”, disse o nutrólogo. Ou seja, é possível não só de engordar novamente, mas ganhar ainda mais peso do que se tinha antes.
Manter um estilo de vida saudável vai além do que se coloca no prato. Exige também higiene mental, bem como a capacidade de mobilidade do corpo humano. Uma rotina ativa previne doenças crônicas, ajuda a controlar o peso, reduz o risco de hipertensão, diabetes e problemas cardíacos, além de contribuir para o bem-estar mental.
Beber a quantidade adequada de água para você também é importante, já que o líquido regula a temperatura, auxilia na digestão e garante o transporte de nutrientes. “Esses fatores são fundamentais para manter um gasto energético adequado e uma estrutura óssea-muscular capaz de preservar a autonomia dos indivíduos”, afirmou Cukier.
Além de medidas drásticas na alimentação, a busca por emagrecimento rápido tem levado muitas pessoas ao uso indiscriminado de medicamentos, o que pode gerar uma série de efeitos colaterais. Daí por que é tão importante consultar um médico para saber se a medicação é indicada ao seu caso e, se for, acompanhar de perto o avanço do tratamento.
“Temos hoje boas opções de medicação, que fazem parte de um arsenal terapêutico que pode auxiliar na melhora da condição física desses pacientes. No entanto, é importante ressaltar que se trata apenas de uma ferramenta, e não da solução isolada”, disse Cukier.
O acompanhamento nutricional junto a um especialista, como nutricionista ou nutrólogo, permite ajustar refeições, suplementação e outros hábitos que podem comprometer os resultados desejados. A orientação especializada funciona como um filtro contra modismos perigosos e recomendações sem base científica.
Com informações da Agência Einstein.





