A alta dos alimentos ganhou espaço na campanha para as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, e a carne bovina se tornou um dos principais alvos da disputa política. O preço médio da carne moída chegou a US$ 6,79 por libra em setembro, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho americano, avanço de 7,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Em janeiro de 2025, quando Donald Trump tomou posse, o produto custava, em média, US$ 5,55 por libra. A comparação representa uma alta de 22,34% em menos de dois anos, de acordo com os dados apresentados no monitoramento.

Democratas passaram a usar o encarecimento da proteína para criticar os republicanos. No Mississippi, o candidato democrata ao Senado Scott Colom resgatou uma fala da senadora republicana Cindy Hyde-Smith, que tenta a reeleição. Ao comentar os preços, ela afirmou: “vocês têm outras proteínas para escolher”.

A oposição produziu um vídeo com consumidores respondendo à declaração. Na peça, eles dizem: “escolher outra proteína? Prefiro escolher outro senador”.

Rebanho menor reduz oferta interna

A pressão sobre os preços começou na produção. Períodos sucessivos de estiagem, além do aumento no custo dos grãos e da ração, levaram pecuaristas a reduzir a atividade. Alguns abandonaram a criação, segundo o material.

O rebanho bovino dos Estados Unidos encolheu e voltou ao nível registrado 75 anos atrás, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Embora o gado esteja mais pesado e produtivo, a oferta doméstica de carne diminuiu de forma acentuada, contribuindo para a alta no varejo.

O ciclo de recomposição do rebanho é longo e exige anos. Por isso, a restrição da oferta tende a manter a carne bovina entre os produtos que pressionam a inflação e prolongar sua presença no debate político, mesmo depois das eleições.

Importações dividem governo e pecuaristas

Para tentar conter os preços, o governo americano ampliou o recurso ao mercado internacional. Em julho de 2026, ao criar novas tarifas sobre produtos brasileiros, Trump deixou a carne bovina fora da medida. No fim de agosto, anunciou uma cota adicional de 300 mil toneladas com tarifa zero.

A decisão desagradou pecuaristas, que formam uma importante base eleitoral do presidente. Associações de criadores relataram falta de apoio, incentivos e políticas públicas para recompor o rebanho. Depois das críticas, Trump passou a anunciar medidas voltadas à recuperação da criação, com prioridade para pequenos e médios produtores.

A entrada de carne estrangeira aumenta a concorrência e pode reduzir as margens dos pecuaristas justamente quando o setor precisa de recursos para voltar a investir. A arroba é negociada em torno de US$ 113,14, abaixo dos US$ 120 registrados no mesmo período do ano passado.

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