Lewis Hamilton atribuiu à disputa com Charles Leclerc a perda da vitória da Ferrari no GP da Cidade do México, realizado neste domingo (1º). O britânico terminou a corrida em segundo lugar, atrás de Max Verstappen, da Red Bull, e afirmou que a equipe precisa discutir internamente o episódio para evitar novos conflitos entre os companheiros.
Hamilton havia largado na pole position e manteve a liderança na chegada à primeira curva. Leclerc tentou ultrapassá-lo por fora, e os dois carros seguiram lado a lado até saírem dos limites da pista. O monegasco voltou à frente e assumiu a ponta.
Os comissários da Federação Internacional do Automobilismo (FIA) aplicaram a Leclerc uma punição de cinco segundos, cumprida durante a parada nos boxes. A sanção permitiu que Verstappen assumisse a liderança. Hamilton também perdeu uma posição para o holandês durante a disputa, mas se recuperou depois da relargada provocada por uma bandeira vermelha.
Leclerc terminou em quinto, após também ser ultrapassado por Kimi Antonelli, o novo campeão mundial. Para Hamilton, a Ferrari tinha condições de conquistar as duas primeiras posições caso os pilotos tivessem trabalhado juntos desde o começo da prova.
“Não tenho muito a dizer sobre o que aconteceu com o Charles. Acho que vocês podem ver o que ocorreu e o motivo de termos perdido a vitória. No fim das contas, foi isso que nos custou a vitória hoje. E eu, sim, acho que precisamos ter algumas conversas sérias nos bastidores, com certeza”, declarou o heptacampeão.
Crítica à postura de Leclerc
Além de responsabilizar o incidente pelo resultado, Hamilton contestou a diferença entre a punição aplicada a Leclerc e uma penalidade de dez segundos que recebeu no ano passado por uma manobra semelhante. Segundo o piloto, o tema havia sido discutido pelos competidores antes da corrida.
O britânico também criticou a decisão do companheiro de tentar assumir a liderança a qualquer custo. “O cara tem 28 anos, então não acho que seja uma questão de idade. Acho que é uma questão de mentalidade. Ele é tipo: ‘É tudo ou nada. Ou eu venço ou nenhum de nós vence‘, e não deveria ser assim. Deveríamos estar focados em conquistar aquela dobradinha”, afirmou.
O chefe da Ferrari, Frédéric Vasseur, demonstrou insatisfação com o episódio e disse que pretende conversar com os dois pilotos. O dirigente cobrou respeito às obrigações da equipe e afirmou que o trabalho conjunto poderia ter levado a um resultado melhor.
“Trabalhar em equipe faz parte do nosso trabalho e do nosso contrato. Temos que trabalhar em equipe, o que poderíamos ter feito facilmente hoje. É uma pena ver essa situação se deteriorar, como aconteceu”, disse Vasseur.
Hamilton afirmou que pretende tratar o assunto em particular com Leclerc e com a Ferrari. Embora reconheça que disputas entre companheiros fazem parte da Fórmula 1, ele defendeu que a equipe estabeleça limites para impedir que novos conflitos comprometam os resultados.
“Isso não deve acontecer daqui para frente. Claro, já tive disputas acirradas com companheiros de equipe no passado, e nem sempre conseguimos acertar, mas nove em cada dez vezes deveríamos ser capazes”, concluiu.
