• Quinta-feira, 7 de maio de 2026

Por que Amsterdã decidiu banir propaganda de carne e hambúrgueres nas ruas

Com a nova regra, Amsterdã se tornou a primeira capital do mundo a barrar anúncios de carne e combustíveis fósseis em espaços públicos, reacendendo o debate sobre consumo, clima e liberdade comercial.

A cidade de Amsterdã entrou oficialmente para a história ao se tornar a primeira capital do mundo a proibir anúncios de carne e produtos ligados a combustíveis fósseis em espaços públicos. Desde 1º de maio, outdoors, pontos de bonde e estações de metrô deixaram de exibir propagandas de hambúrgueres, carros a gasolina, passagens aéreas e cruzeiros.

A medida faz parte da estratégia climática da capital holandesa, que pretende atingir a neutralidade de carbono até 2050 e reduzir o consumo de produtos de origem animal ao longo das próximas décadas.

Na prática, quem circula pela cidade já percebe a diferença. Em locais antes dominados por campanhas de fast food, SUVs e promoções de viagens, agora aparecem anúncios culturais, museus e eventos locais.

Segundo políticos e ativistas que apoiaram a regra sobre a propaganda de carne e produtos ligados a combustíveis fósseis, a prefeitura não deveria lucrar alugando espaços públicos para promover produtos considerados altamente emissores de carbono. Para Anneke Veenhoff, do Partido Verde-Esquerda, não faria sentido defender metas climáticas enquanto a cidade estimula exatamente o oposto através da publicidade.

Já Anke Bakker, do Partido para os Animais, afirma que a ideia não é proibir o consumo de carne, mas reduzir o estímulo constante ao consumo impulsivo.

“Estamos tentando impedir que grandes empresas digam o tempo todo o que devemos comer e comprar”, afirmou a política holandesa em entrevistas à imprensa europeia.

A decisão chamou atenção porque colocou a carne no mesmo grupo de produtos ligados à alta emissão de carbono, como aviação, cruzeiros e carros movidos a gasolina ou diesel.

O debate ganhou força na Europa nos últimos anos por causa dos impactos ambientais ligados à produção global de alimentos. Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostram que os sistemas agroalimentares representam quase 30% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Ao mesmo tempo, especialistas lembram que a discussão é complexa. A pecuária envolve segurança alimentar, geração de empregos, cultura e exportações, principalmente em países como o Brasil.

A Associação Holandesa de Carnes criticou a medida e classificou a decisão como uma tentativa de influenciar o comportamento do consumidor.

O setor argumenta que a carne continua sendo uma importante fonte de nutrientes e defende que o consumidor tenha liberdade para decidir o que consumir.

Empresas de turismo também reclamaram da regra, afirmando que a restrição à publicidade de viagens aéreas representa uma limitação excessiva à atividade comercial.

Essa ainda é a principal dúvida. Até o momento, não existem provas concretas de que retirar anúncios de carne das ruas faça a população consumir menos proteína animal.

Mesmo assim, pesquisadores consideram a iniciativa um “experimento social” importante. Estudos anteriores mostraram que restrições à publicidade de junk food no transporte público de Londres ajudaram a reduzir a compra desses produtos.

Ambientalistas acreditam que a mudança pode alterar, aos poucos, a percepção social sobre o consumo de itens ligados a maiores emissões de carbono — algo parecido com o que aconteceu com o cigarro décadas atrás.

Amsterdã não está sozinha. Outras cidades holandesas, como Haarlem, Utrecht e Nijmegen, já adotaram restrições semelhantes envolvendo combustíveis fósseis e publicidade de carne.

Fora da Holanda, cidades como Edimburgo, Estocolmo e Florença também avançam em medidas relacionadas à publicidade climática, todas com foco na propaganda de carne.

O movimento mostra que a alimentação e o consumo passaram a ocupar espaço central nas políticas ambientais urbanas. E isso pode aumentar a pressão global sobre cadeias produtivas, incluindo a pecuária.

Para o agro, o cenário reforça a necessidade de investir cada vez mais em rastreabilidade, eficiência produtiva e comunicação transparente sobre sustentabilidade.

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Por: Redação

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