• Quinta-feira, 7 de maio de 2026

Processar soja no Brasil rende 4 vezes mais do que exportar o grão: entenda

Dados do Cepea/Abiove revelam que a industrialização da soja e do biodiesel alavancou o PIB do setor em 11,7% em 2025

O Brasil consolidou em 2025 uma lição estratégica: a riqueza do agronegócio não está apenas no que sai do solo, mas no que passa pelas fábricas. Segundo o levantamento anual do Cepea/Esalq-USP em parceria com a Abiove, o PIB da cadeia da soja e do biodiesel saltou 11,72%, impulsionado pela agregação de valor.

A disparidade entre o modelo exportador de matéria-prima e o modelo industrial é nítida nos números. Enquanto cada tonelada de soja exportada in natura gerou um PIB de R$ 1.862, a mesma tonelada, quando processada pela indústria nacional para virar óleo, farelo ou biodiesel, gerou R$ 7.608. Na prática, industrializar o grão dentro das fronteiras brasileiras é 4,09 vezes mais rentável para a economia do país.

Para Nicole Rennó, pesquisadora do Cepea, o processamento garante que a renda circule por mais tempo na economia interna. “Quando a soja é exportada diretamente, a geração de PIB para ali. No processamento, há continuidade da geração de renda na indústria e nos serviços”, afirmou Rennó durante a divulgação dos resultados.

Essa "continuidade" citada pela pesquisadora reflete no desempenho dos subsegmentos em 2025:

A tese de que "processar é melhor que exportar" também se confirma no mercado de trabalho. A cadeia encerrou o ano com 2,39 milhões de ocupados. O estudo mostra que a soja produzida e processada gera 26,3 postos de trabalho por mil toneladas — um volume 4,26 vezes superior aos 6,2 empregos gerados pela exportação direta do grão.

Mesmo com a queda de 8,54% nos preços internacionais, o volume recorde de 133,7 milhões de toneladas exportadas e a força do mercado interno garantiram que a soja e o biodiesel representassem, sozinhos, 5,4% de todo o PIB brasileiro em 2025.

O desafio para os próximos anos, segundo a Abiove, é manter o ritmo de investimentos industriais para que o Brasil deixe de ser apenas o "celeiro do mundo" e se consolide como uma potência agroindustrial de produtos acabados.

Por: ITATIAIA

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