• Quinta-feira, 7 de maio de 2026

Ibraoliva leva ao Ministério da Agricultura demandas para proteger produção nacional

Pauta entregue ao ministro André de Paula inclui fiscalização de azeites importados, adesão ao COI, controle dos lagares e crédito agrícola.

O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) entregou nesta quarta-feira (6), em Brasília (DF), ao ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, uma pauta com demandas para ampliar a fiscalização de azeites importados, avançar no controle da produção nacional e criar medidas de proteção à olivicultura brasileira. A audiência tratou ainda de crédito agrícola, revisão regulatória e restrição ao uso de herbicidas hormonais perto de pomares de oliveiras.

Entre os principais pontos, a entidade pediu a conclusão do laudo pericial de análise sensorial de azeites importados comercializados nos principais supermercados do país e o reforço das ações de fiscalização sobre produtos vendidos como extravirgens e que apresentam defeitos sensoriais

A carta entregue ao ministro também pede agilidade no processo de adesão do Brasil ao Comitê Oleícola Internacional (COI). Para o setor, a entrada no organismo permitiria ao país participar de programas internacionais e alinhar regras técnicas com outros países produtores, como Argentina e Uruguai.

Outro pedido foi a normatização do controle dos lagares nacionais. A proposta é que todos os estabelecimentos informem ao Ministério da Agricultura a origem das azeitonas processadas, a quantidade recebida e o volume de azeite produzido. O Ibraoliva também solicitou a indicação dos representantes do ministério no grupo de trabalho responsável pela revisão do regulamento do azeite de oliva.

Na área econômica, a entidade defendeu a redução a zero do imposto de comercialização do azeite nacional no Brasil, como forma de buscar paridade diante da concorrência com produtos europeus. O documento também solicita maior acesso dos produtores a crédito agrícola, securitização e seguro rural, após frustrações de safra em 2024 e 2025 por questões climáticas.

A proteção dos pomares contra a deriva de herbicidas hormonais também entrou na pauta. O Ibraoliva informou que está mapeando as áreas de cultivo no país e relatou casos, no Rio Grande do Sul, de pomares que deixaram de produzir após exposição a esses produtos.

O presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, que esteve acompanhado pelo diretor jurídico da entidade, Jorge Buchabiqui na audiência intermediada pelo deputado federal Paulo Pimenta, avaliou o encontro de forma positiva e destacou que a reunião ocorreu em um momento de safra recorde para o azeite brasileiro. “Nossa avaliação é extremamente positiva dos resultados da reunião. A partir dessa safra recorde que temos no Brasil este ano, de azeite extravirgem de verdade, a nossa preocupação é com a concorrência desleal de azeites de refugo europeu, que são trazidos para o Brasil e vendidos nos supermercados como se extravirgens fossem”, afirmou.

Segundo o dirigente, a entidade solicitou maior rigor do Ministério da Agricultura na fiscalização dos azeites importados. “Não podemos mais admitir essa fraude na rotulagem, quando o azeite virgem, às vezes até lampante, é colocado ao lado dos nossos azeites extravirgens”, ressaltou.

Obino Filho também destacou como encaminhamento da audiência a sinalização do ministro sobre o avanço do processo de adesão do Brasil ao Comitê Oleícola Internacional. “A segunda grande notícia é que o ministro nos garantiu que até a semana que vem encaminha para a Casa Civil o pedido para que o Brasil faça a adesão ao Comitê Oleícola Internacional. Essa é uma última etapa. Passando pela Casa Civil, vai até o Congresso Nacional”, explicou.

Para o presidente do Ibraoliva, a adesão poderá trazer ganhos para produtores e para a fiscalização. “Nós vamos ter a possibilidade de acessar os programas do Comitê Oleícola Internacional, de fomento à produção e também de preparação de painéis de cata, de painéis de análise de azeite por autoridades públicas, para que se tenha uma fiscalização mais efetiva no país”, completou.

A olivicultura brasileira reúne hoje 550 produtores em mais de 200 municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. A área cultivada supera 10 mil hectares, e a produção de 2026 deve chegar a aproximadamente 1 milhão de litros de azeite, volume considerado recorde histórico pelo setor.

Por: Redação

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