O mercado global de energia abriu a semana em forte alta neste domingo (12), reagindo ao colapso das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã realizadas no Paquistão. O fracasso diplomático encerrou o breve período de alívio nos preços e reacendeu o temor de um desabastecimento global, empurrando as cotações do petróleo novamente para patamares acima dos US$ 100 o barril.
Na abertura do pregão, o barril do tipo Brent, referência mundial, registrou uma alta de quase 8%, sendo negociado a US$ 102,39. Já o WTI (West Texas Intermediate) seguiu a tendência e ultrapassou a marca dos US$ 103. O cenário contrasta drasticamente com o fechamento de sexta-feira (10), quando o barril havia caído para US$ 94 sob a expectativa de um acordo, e com o período anterior ao conflito, quando os preços orbitavam a casa dos US$ 70.
A tensão escalou após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar o plano de bloqueio naval ao Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. Em suas redes sociais, o republicano afirmou ter instruído a Marinha americana a interceptar qualquer embarcação que tente entrar ou sair da passagem marítima entre o Irã e Omã, além de interditar navios em águas internacionais que tenham pago pedágios ao governo iraniano.
A medida começa às 11h (horário de Brasília) desta segunda-feira (13). Ao fechar o estreito, os EUA podem cortar uma fonte fundamental de financiamento para o governo e para as operações militares do Irã.
Apesar de já ter sido restringido pelo Irã, o estreito não foi completamente fechado. O governo iraniano tem permitido que navios petroleiros passem, mas cobram um valor de US$2 milhões por embarcação. Além disso, o petróleo oriundo do país tem liberdade de sair e entrar na região.
A resposta de Teerã foi imediata. A Guarda Revolucionária do Irã emitiu um comunicado oficial alertando que qualquer aproximação de embarcações militares estrangeiras ao estreito será considerada uma violação direta do cessar-fogo. O comando militar iraniano afirmou que reagirá com "rigor e firmeza" a qualquer tentativa de bloqueio, o que coloca a região em risco de uma escalada bélica sem precedentes.
Investidores agora monitoram de perto os desdobramentos navais. O mercado teme que, em caso de confronto direto ou fechamento total da rota marítima, os preços do petróleo possam testar novas máximas históricas nas próximas semanas.





