• Domingo, 12 de abril de 2026

Dólar já caiu 9% em 2026, mas novas quedas ainda são incertas

Cessar-fogo na guerra do Oriente Médio diminuiu a aversão ao risco em mercados globais e enfraqueceu o dólar na última semana

O dólar enfrenta forte desvalorização frente ao real em 2026, acumulando uma queda de quase 9% no início deste ano. A moeda norte-americana, que era negociada a R$ 5,4778 no início de janeiro, atingiu uma cotação de R$ 5,0063 nessa sexta-feira (10), com investidores buscando refúgio diante das incertezas em relação à economia dos Estados Unidos e a condução da guerra no Oriente Médio.

O frágil acordo de cessar-fogo entre EUA, Israel e Irã repercutiu bem no mercado brasileiro desde o anúncio da última terça-feira (7). Em três dias, o dólar saiu de R$ 5,15 e recuou 3%, impulsionado pela reação positiva do tratado.

Segundo o professor de finanças da Skema Business School, Thiago Almeida, o cessar-fogo diminui momentaneamente a aversão ao risco nos mercados globais, o que tende a enfraquecer o dólar frente a outras moedas. Além disso, ele cita um movimento estrutural de diversificação das reservas internacionais com diversos países reduzindo a dependência do dólar e ampliando posições em outras moedas.

“No caso do Brasil, o real também se beneficia de fatores internos, como a entrada de capital estrangeiro, expectativas ligadas ao crescimento econômico e perspectivas de avanços em acordos comerciais importantes, como o Mercosul-União Europeia, o que aumenta a confiança no país e fortalece a moeda”, explica o especialista.

Almeida ainda alerta que o cenário segue bastante instável, e quedas maiores dependeriam de um conjunto consistente e prolongado de fatores positivos no Brasil. A dúvida agora é qual seria limite para a queda do câmbio e se o piso de R$ 4,00 seria alcançável.

Para o especialista, esse cenário depende de um ambiente forte de entrada de capital estrangeiro, crescimento econômico, melhora fiscal e avanços concretos em acordos internacionais. “Mesmo com o movimento recente de apreciação do real, o câmbio é um preço extremamente sensível a choques externos e internos. Por isso, eu vejo mais como provável uma oscilação dentro de uma faixa de equilíbrio do que uma trajetória contínua de queda”, explicou.

De acordo com o Boletim Focus do Banco Central na última segunda-feira (6), o mercado financeiro ainda espera um câmbio fechando o ano em R$ 5,40. Apesar da melhora recente no cenário, o mercado ainda projeta riscos relevantes que podem pressionar o câmbio.

Nesse caso, o aumento no preço dos combustíveis pressiona a inflação, que somente em março avançou 0,88% com um impacto relevante da alta de 4% na gasolina. O índice de preços também tende a impactar as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) e a taxa básica de juros, indicadores que podem levar a desvalorização do real.

“Por isso, apesar do movimento recente de queda, ainda existe bastante incerteza no cenário, e tanto fatores globais quanto domésticos podem reverter essa tendência ao longo dos próximos meses”, completou Thiago Almeida.

Por: Redação

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