O avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mês de março foi impactado pelo custo dos combustíveis, com a disparada nos preços causada pela crise no mercado de petróleo. A inflação oficial do país acelerou 0,88% no mês passado, resultado acima do esperado pelo mercado, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (10).
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a variação do grupo transportes mais do que dobrou na passagem de fevereiro (0,74%) para março (1,64%). Nesse recorte, somente a alta dos combustíveis foi de 4,47%, na medida em que o preço do barril do petróleo disparou com o fechamento do estreito de Ormuz, no golfo pérsico.
A gasolina comum, que em fevereiro havia caído 0,61% em fevereiro, subiu 4,59% em março, sendo o principal impacto individual da inflação em 0,23 ponto percentual (p.p). O óleo diesel saiu de uma variação de 0,23% em fevereiro para 13,90% em março, com impacto de 0,03 p.p no IPCA. O etanol subiu 0,93%, enquanto o gás veicular recuou 0,98%.
Segundo o economista sênior do Banco Inter, André Valério, a leitura da inflação de março foi amplamente impactada pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Porém, o especialista destaca que o qualitativo do indicador reafirma a tendência de moderação da inflação.
“Apesar da forte alta, o qualitativo do índice melhorou, na margem, em todas as medidas relevantes. A média dos núcleos desacelerou de 0,62% em fevereiro para 0,44% em março, mantendo a tendência de desaceleração no acumulado em 12 meses, que recuou para 4,39%, menor valor desde dezembro de 2024. A inflação de serviços, amplamente viesada pelos reajustes escolares em fevereiro, recuou de 1,51% para 0,53%”, explicou Valério.
Ainda de acordo com o economista, o cessar-fogo anunciado na terça-feira (7), mesmo que frágil, indica que os Estados Unidos não possuem opções para escalonar o conflito. O preço do barril de petróleo opera sob essa premissa desde o anúncio do cessar-fogo, tendo ficado abaixo de US$100 consistentemente”, emendou.
Apesar da perspectiva de melhora, ele não observa uma maior tranquilidade do Comitê de Política Monetária (Copom) para o ciclo de cortes da taxa básica de juros, mas segue esperando um corte de 0,25 p.p na Selic em abril. Atualmente, os juros de referência estão fixados a 14,75% ao ano.





