O papa Leão XIV qualificou como "inaceitável", nesta terça-feira (7), a ameaça do presidente americano, Donald Trump, de eliminar toda a civilização iraniana se Teerã não respeitar seu ultimato, esta noite, para reabrir o Estreito de Ormuz.
"Hoje (...) foi feita esta ameaça contra todo o povo do Irã, e isto é realmente inaceitável. Certamente, há questões de direito internacional, mas muito mais que isso, trata-se de uma questão moral", disse o papa aos jornalistas, ao deixar sua residência de Castel Gandolfo, perto de Roma, rumo ao Vaticano.
Na segunda-feira (6), Donald Trump alertou que os Estados Unidos podem atacar usinas de energia, pontes e outras infraestruturas no Irã, caso o país persa não chegue a um acordo ou reabra o Estreito de Ormuz.
O presidente norte-americano tem feito diversas ameaças, apontando, no último fim de semana, que o Irã tem até às 20h (horário do leste dos EUA) de terça-feira (7) para fechar um acordo. O republicano ainda destacou que o Irã poderia ser "derrubado" em uma noite, apontando que isso poderia acontecer, inclusive, na terça.
Na mesma ocasião, Trump, se referiu aos iranianos como animais. A declaração do republicano aconteceu após ser questionado se estaria cometendo um crime de guerra se atacasse estruturas civis do país.
"Não, por que eles [iranianos] são animais", disse Trump a repórteres em um evento de Páscoa na Casa Branca. "Não estou preocupado sobre os alertar por alvejar infraestrutura civil [no Irã]", acrescentou.
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
Com informações de AFP





