• Quinta-feira, 9 de abril de 2026

Iranianos fazem correntes humanas em volta de centrais elétricas após ameaças de Trump

Mobilização foi impulsionada por uma intensa campanha digital e mensagens de texto, resultando, segundo as autoridades locais, na adesão de mais de 14 milhões de pessoas

Em uma demonstração de resistência nacional, milhões de iranianos formaram correntes humanas nesta terça-feira (7) para proteger as centrais elétricas e infraestruturas críticas do país.

O movimento surge como resposta direta às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que alertou para ataques iminentes contra o setor energético iraniano caso seu ultimato para a reabertura do Estreito de Ormuz não seja cumprido até a meia-noite GMT de hoje. Trump chegou a declarar que "toda uma civilização morrerá" se o Irã não encerrar o bloqueio à estratégica via marítima de petróleo.

A mobilização foi impulsionada por uma intensa campanha digital e mensagens de texto, resultando, segundo as autoridades locais, na adesão de mais de 14 milhões de pessoas. Embora esse número expressivo não tenha sido verificado de forma independente e os registros iniciais mostrassem grupos de dezenas de manifestantes em locais específicos, a simbologia do ato ganhou força com o apoio da cúpula do governo.

O presidente Masoud Pezehskian utilizou a rede social X para confirmar seu registro no movimento, reforçando sua disposição em sacrificar a vida pelo país, enquanto a hashtag "janfada" — que significa autossacrifício em persa — dominou os debates nas redes sociais.

Imagens divulgadas pelas agências estatais Irna e Mehr registraram as concentrações em pontos estratégicos, como a usina nuclear de Bushehr, ao sul, e as principais centrais elétricas de Tabriz e Mashhad, ao norte.

Em Ahvaz, a população também se reuniu em torno da principal ponte da cidade, reagindo aos recentes bombardeios americanos e israelenses que têm visado a infraestrutura de transporte.

O cenário de tensão ocorre em um momento em que o Irã tenta se reorganizar após cinco semanas de conflito, que resultaram na perda de parte significativa de seu escalão de liderança, incluindo o líder supremo Ali Khamenei. Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento e atual figura central do poder no país, também aderiu publicamente à iniciativa de defesa das usinas, enfatizando o tom de prontidão para o sacrifício.

Para analistas, a execução das ameaças de Trump contra as instalações de energia representaria uma escalada sem precedentes em uma guerra que já fragilizou profundamente a estrutura política iraniana.

Com informações de AFP

Por: Redação

Artigos Relacionados: