• Sábado, 10 de janeiro de 2026

Papa critica "zelo pela guerra" em discurso forte no Vaticano

Em tom mais inflamado, ele defendeu os direitos humanos na Venezuela

O papa Leão XIV condenou nesta sexta-feira (9) o uso da força militar como meio de alcançar objetivos diplomáticos, em discurso anual sobre política externa. Excepcionalmente inflamado, ele pediu que os direitos humanos sejam protegidos na Venezuela. Primeiro papa dos Estados Unidos (EUA), Leão XIV disse que a fragilidade das organizações internacionais em face dos conflitos globais é "um motivo especial de preocupação".

"Uma diplomacia que promove o diálogo e busca o consenso entre todas as partes está sendo substituída por uma diplomacia baseada na força", disse ele a cerca de 184 embaixadores credenciados no Vaticano.

"A guerra está de volta à moda e o zelo pela guerra está se espalhando", disse o papa, que foi eleito em maio do ano passado.

"Respeitar a vontade" dos venezuelanos

Referindo-se à captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelas forças dos EUA, por ordem do presidente Donald Trump, no último fim de semana, o papa pediu que os governos mundiais "respeitem a vontade" do povo venezuelano daqui para a frente.

As nações devem "salvaguardar os direitos humanos e civis" dos venezuelanos, acrescentou.

Os comentários do pontífice fizeram parte de um discurso que às vezes é chamado de discurso do papa sobre o "estado do mundo". Foi o primeiro proferido por Leão XIV, eleito após a morte do papa Francisco. Os embaixadores dos Estados Unidos e da Venezuela na Santa Sé participaram do evento. Leão XIV, anteriormente cardeal Robert Prevost, serviu como missionário no Peru por décadas antes de se tornar papa. Ele já havia criticado algumas das políticas de Trump, em particular sobre imigração, mas não mencionou o presidente dos Estados Unidos no discurso desta sexta-feira. O papa demonstrou um tom mais discreto e diplomático nos primeiros oito meses de seu papado, em comparação com o antecessor Francisco, que muitas vezes ganhou as manchetes com comentários improvisados.

Tom inflamado

No discurso de 43 minutos, o pontífice usou um tom mais inflamado -- condenando firmemente os conflitos em andamento no mundo, mas também criticando as práticas de aborto, eutanásia e nascimentos de aluguel. Em linguagem excepcionalmente firme, Leão XIV alertou que a liberdade de expressão está "encolhendo rapidamente" nos países ocidentais.

"Está se desenvolvendo uma nova linguagem de estilo orwelliano que, em uma tentativa de ser cada vez mais inclusiva, acaba excluindo aqueles que não se conformam com as ideologias que a alimentam", afirmou.

O papa também criticou o que chamou de "forma sutil de discriminação religiosa" sofrida pelos cristãos na Europa e nas Américas. *É proibida a reprodução deste conteúdo Relacionadas
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Por: Redação

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