• Terça-feira, 19 de maio de 2026

Mercado projeta inflação em quase 5% e reduz espaço de corte nos juros em 2026

Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (18) mostra um aumento na inflação pela 10ª semana seguida

Os economistas do mercado financeiro elevaram a expectativa de inflação para 4,92% em 2026, na 10ª semana seguida de alta do indicador no Boletim Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira (18). No mesmo sentido, os especialistas reduziram as projeções de corte na taxa básica de juros, a Selic.

Na última semana, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) era estimado em 4,91%. Apesar da alta pequena, nas últimas quatro semanas o indicador era previsto a 4,80%, e já esteve dentro do intervalo da meta de 3%, considerando uma tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p) para mais ou menos.

A alta no indicador ocorre em meio a disparada no preço dos combustíveis em razão da guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã, e seus reflexos no barril de petróleo. A crise também tem reflexo no preço dos alimentos, que acelerou em 1,34% em abril em razão do custo do frete da sazonalidade das produções.

Na semana passada, o IBGE divulgou que o IPCA de abril subiu 0,67%, em linha com o esperado pelo mercado, mas representando uma leve desaceleração em relação ao resultado de março (0,88%). No ano, a inflação acumula alta de 2,60%, e de 4,39% nos últimos 12 meses.

O Focus desta segunda manteve estável as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) a 1,85%, além do câmbio em R$ 5,20, sem variações em relação ao ano passado.

Em relação à taxa Selic, o Focus mostrou um pessimismo dos economistas em relação ao ciclo de cortes do Banco Central. No início do ano, os especialistas esperavam que a taxa caísse de 15% ao ano para 12,5%. Agora, as projeções subiram para 13,25% ao ano.

A Selic é a taxa de referência do mercado, calibrando o custo do crédito. Quando ela está em patamares elevados, tomar empréstimos tende a ser mais caro com o aumento geral nos juros bancários. Os financiamentos também são afetados pela taxa, reduzindo o ritmo da atividade econômica como um todo.

No final de abril, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom-BC) promoveu o segundo corte na taxa básica de juros. É a segunda redução consecutiva feita pelos diretores da autoridade monetária, levando a taxa de referência a 14,50%. Contudo, o colegiado alertou para o alto grau de incerteza em razão do conflito no Oriente Médio.

Por: ITATIAIA

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