• Quinta-feira, 30 de abril de 2026

Mercado do boi gordo busca equilíbrio com ajuste nas escalas e pressão na arroba em todo o país

Com frigoríficos confortáveis nas compras e oferta crescente de animais, mercado do boi gordo enfrenta pressão nos preços e acende alerta para pecuaristas

O mercado do boi gordo voltou a operar sob forte pressão nesta semana, com recuo gradual nas cotações e um cenário cada vez mais favorável aos frigoríficos. A combinação entre escalas de abate alongadas, aumento da oferta de animais e perda de qualidade das pastagens tem reduzido o poder de negociação do pecuarista em diversas regiões do Brasil.

Levantamentos de consultorias como Safras & Mercado, Scot Consultoria e Agrifatto mostram que o movimento não é pontual e reflete uma virada típica do período, agora intensificada por fatores climáticos e de consumo.

Escalas longas aumentam poder da indústria

De acordo com análise da Safras & Mercado, os frigoríficos operam com escalas de abate mais confortáveis, o que permite testar compras em patamares mais baixos, reduzindo a pressão por aquisição imediata de animais .

Na mesma linha, a Scot Consultoria destaca que o alongamento das escalas, combinado ao aumento da oferta de boiadas, elevou o poder de negociação dos compradores, contribuindo para a sequência de quedas recentes na arroba.

Arroba já recua em importantes praças

Segundo dados da Agrifatto, os preços do boi gordo registraram desvalorização em estados como Goiás, Minas Gerais e Rondônia, reforçando o movimento de baixa observado ao longo da semana .

A Scot Consultoria também identificou recuos relevantes em São Paulo:

  • Boi comum: cerca de R$ 360/@
  • Boi-China: próximo de R$ 363/@, com queda recente
  • O cenário marca a terceira queda consecutiva da arroba, indicando um mercado mais pressionado no curto prazo.

    Outro fator decisivo vem do campo. Segundo a Safras & Mercado, a perda de qualidade das pastagens tem reduzido a capacidade de retenção dos animais, especialmente em estados como Goiás e Minas Gerais. A Agrifatto reforça que o estresse hídrico registrado em abril comprometeu o valor nutricional das forragens, antecipando a oferta de animais terminados e aumentando a pressão sobre os preços da arroba.

    Por outro lado, regiões como Mato Grosso, Tocantins e Pará ainda apresentam pastagens mais vigorosas, o que ajuda a equilibrar parcialmente o mercado do boi gordo no estado.

    Consumo fraco limita reação da carne bovina

    No atacado, o ambiente segue desafiador. A Safras & Mercado aponta que o consumo interno mais fraco, típico da segunda quinzena do mês, reduz o espaço para reajustes positivos .

    Além disso, a carne bovina perde competitividade frente a proteínas mais acessíveis, como frango e suínos — fator também destacado pela Agrifatto como limitador de reação dos preços .

    Os cortes seguem estáveis:

  • Quarto dianteiro: R$ 23,50/kg
  • Quarto traseiro: R$ 28,50/kg
  • Ponta de agulha: R$ 21,50/kg
  • Cota chinesa segue no radar do mercado

    Outro ponto estratégico levantado pela Safras & Mercado é o avanço da cota chinesa de importação, com expectativa de esgotamento em meados de junho .

    Esse fator pode impactar diretamente o ritmo das exportações brasileiras e influenciar as estratégias dos frigoríficos nas próximas semanas.

    Mercado futuro confirma tendência de pressão

    Na B3, o mercado futuro do boi gordo também já precifica esse cenário. Segundo a Agrifatto, o contrato para junho de 2026 recuou, sendo negociado próximo de:

  • R$ 336,40/@, com queda recente
  • O movimento reforça a percepção de um curto prazo mais desafiador para a arroba.

    O mercado do boi gordo entra em um momento de ajuste, sustentado por três fatores principais:

  • Oferta crescente de animais
  • Escalas de abate alongadas
  • Consumo interno enfraquecido
  • Ainda assim, variáveis como exportações e condições regionais de pastagem podem limitar quedas mais intensas. Para o pecuarista, o momento exige estratégia, já que o poder de barganha diminuiu e o mercado do boi gordo tende a permanecer sensível a novas oscilações nas próximas semanas.

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    Por: Redação

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