• Quarta-feira, 22 de abril de 2026

Megafábrica chinesa amplia operação e prepara abertura de milhares de empregos no Brasil

Instalada no antigo complexo industrial da Ford, na Bahia, a fábrica da BYD é hoje considerada o maior polo fabril da empresa fora da Ásia

A montadora chinesa de carros elétricos BYD tem o objetivo de empregar até 10 mil trabalhadores em sua megafábrica em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, Bahia, até 2026. Instalada no antigo complexo industrial da Ford, a unidade é hoje considerada o maior polo fabril da empresa fora da Ásia.

A fábrica opera em ritmo acelerado meses após o início das atividades, em 9 de outubro do ano passado. Atualmente, o complexo industrial da BYD em Camaçari já reúne cerca de 6.900 trabalhadores brasileiros, somando operação e obras.

Após cerca de três meses de funcionamento, a fábrica da BYD em Camaçari já alcançou a marca de aproximadamente 420 veículos montados por dia.

A unidade é a primeira da montadora chinesa a montar carros no Brasil e recebeu um investimento estimado em R$ 5,5 bilhões. O complexo ocupa uma área equivalente a 646 campos de futebol, reaproveitando a estrutura deixada pela Ford, que encerrou as atividades no local em 2021.

Inicialmente, a BYD trabalhava com a meta de produzir 150 mil veículos por ano, com expansão gradual para 300 mil unidades. No entanto, essa projeção foi revista e ampliada.

A meta atual da empresa é atingir 600 mil veículos por ano quando a fábrica estiver em plena operação, consolidando o Brasil como uma das principais bases industriais da montadora no mundo.

A estratégia inclui não apenas o mercado interno, mas também a exportação para países da América Latina, África e outros mercados internacionais.

Atualmente, o complexo industrial baiano realiza a montagem dos seguintes modelos:

As carcaças dos veículos chegam da Ásia pelo Porto de Salvador e seguem para Camaçari, onde são finalizadas com a instalação de motores, faróis, pneus e demais componentes. A expectativa é que, em 2026, a unidade passe a produzir também o híbrido Song Pro Plus.

Em dezembro de 2024, mais de 224 trabalhadores chineses foram resgatados de trabalho análogo à escravidão na obra. No dia 6 de abril, a BYD entrou oficialmente na “lista suja” do governo federal.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA), os trablhadores foram encontrados amontoados em alojamentos sem condições adequadas de conforto e higiene e eram vigiados por seguranças armados, que impediam a saída do local. Eles haviam sido contratados para atuar na construção da fábrica da empresa em Camaçari.

As autoridades afirmaram que os passaporte deles eram retidos e os contratos incluíam cláusulas ilegais, como jornadas exaustivas e ausência de descanso semanal. Em depoimento ao Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA), um dos trabalhadores afirmou que associou um acidente com uma serra ao cansaço causado pela falta de folgas.

Os funcionários chineses, ainda conforme o MPT-BA, entravam no Brasil de forma irregular, com vistos para serviços especializados que não correspondiam às atividades desempenhadas na obra.

Um ano depois, o MPT-BA fechou um acordo de R$ 40 milhões com a montadora chinesa e as duas empreiteiras contratadas para o trabalho.

Em 2024, quando os trabalhdores chineses foram encontrados pelo governo federal, a BYD afirmou que  a construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda cometeu irregularidades e que, por isso, decidiu encerrar o contrato com a empresa.

A montadora também afirmou que não tolera desrespeito à legislação brasileira nem à dignidade humana e determinou a tranferência de parte dos trabalhadores para hotéis da região.

Após o acordo, a BYD afirmou manter um compromisso inegociável com os direitos humanos e informou que iria se manifestar nos autos da ação movida pelo órgão.

Por: NSC Total

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