• Quarta-feira, 22 de abril de 2026

Novo sistema do INSS amplia prazo de auxílio e reduz necessidade de perícia; veja o que muda

Auxílio por incapacidade temporária, antigo "auxílio-doença", atualmente tem 650 mil brasileiros aguardando concessão de benefício

O auxílio por incapacidade temporária do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), anteriormente chamado de auxílio-doença, teve o período de cobertura ampliado. Atualmente, cerca de 650 mil brasileiros aguardam a concessão do benefício.

Ao Jornal Nacional, Andréa Nascimento, empregada doméstica, contou que sofreu um acidente enquanto trabalhava na limpeza de uma casa. Sem perceber que o chão da sala estava molhado, ela escorregou e caiu. Na época, exames indicaram uma fratura no cóccix.

Além das dores, a queda também a impediu de continuar trabalhando. Por isso, há três meses, Andréa enfrenta uma batalha para conseguir receber o benefício por incapacidade temporária.

— A gente fica nessa expectativa de ficar só em análise, a gente ligando para o 135 e sem nenhuma solução. Queremos que isso venha a ser resolvido — afirma.

Assim como Andréa, cerca de 650 mil trabalhadores vivem hoje a mesma situação: estão sem acesso ao benefício. A demora impacta diretamente a rotina e dificulta a vida de muitas pessoas. O principal desafio do INSS é reduzir essa fila de espera.

Em uma tentativa de tentar reduzir as filas, o órgão atualizou o sistema que permite a análise de documentos sem a necessidade de perícia médica presencial.

Os pedidos podem ser feitos pelo site ou pelo aplicativo Meu INSS. Antes, o atestado médico permitia um afastamento de até 60 dias. Agora, o benefício por incapacidade temporária pode ser concedido por até 90 dias.

— A gente tem a expectativa de conseguir que, em um ano, 500 mil pessoas deixem de precisar fazer agendamento e comparecer às agências da Previdência Social — afirma Álvaro Friderichs Fagundes, diretor do Departamento da Perícia Médica Federal.

Caso o afastamento precise ultrapassar três meses, a perícia presencial continua sendo obrigatória.

Além disso, em 350 cidades brasileiras já está disponível a teleperícia. Nessa modalidade, o segurado comparece a uma unidade do INSS no dia e horário agendados, mas o atendimento médico é realizado de forma remota, pela internet.

— A teleperícia vem para levar o Estado e seus serviços ao cidadão em localidades onde não há perícia médica ou onde a oferta é insuficiente, o que faria o cidadão esperar muito tempo — explica Álvaro Friderichs Fagundes.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), quem solicitou o benefício pelos canais digitais do INSS e não recebeu resposta em até duas semanas deve procurar uma agência.

— Essa análise documental tem prazo de 10 a 15 dias. Se não houver resposta nesse período, há alguma falha na análise do INSS. É preciso ir até uma agência e conversar com um servidor, pois o agendamento já existe — orienta Rosana Figueiredo, coordenadora do IBDP no Rio de Janeiro.

A empregada Andréa Nascimento falou sobre a dificuldade que é estar sem o auxílio.

— Afastada do trabalho não tem como. As contas continuam chegando, e a gente precisa cumprir com os compromissos, porque elas não esperam — afirma.

Sobre o caso de Andréa, o Ministério da Previdência Social informou que havia pendência de documentação junto ao INSS. A situação foi regularizada, e o pedido dela deverá ser analisado em breve, segundo a pasta.

Por: NSC Total

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