O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta 6ª feira (29.ago.2025) que não teme a pré-candidatura do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), à Presidência da República em 2026. Em entrevista à Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte, Lula afirmou que quanto mais nomes na disputa, melhor para o processo democrático.
“Quanto mais candidato tiver, melhor. O meu problema nunca foi ter medo de candidato. Eu já disputei com Brizola, com Maluf, com Covas, com tanta gente importante”, declarou.
O presidente afirmou ainda que as eleições de 2026 serão “decisivas” para o Brasil, porque colocarão em confronto 2 projetos distintos: “Quem quer manter o Estado democrático de direito ou quem quer implantar a mentira nesse país”.
Lula deu entrevista ao lado da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo; do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira; e do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
O petista também criticou Zema, dizendo que o governador tenta culpar o ex-governador Fernando Pimentel (PT) pela crise fiscal do Estado, apesar de ter recebido mais recursos federais em seu mandato.
“Se ele tiver 1% de honestidade dentro da cabeça dele, sabe que recebeu no meu governo mais dinheiro do que nos 4 anos do Bolsonaro e nos 4 anos do Temer”, declarou.
Segundo Lula, Zema se beneficiou de decisão da ministra Rosa Weber, do STF (Supremo Tribunal Federal), que suspendeu o pagamento de juros da dívida mineira ainda na gestão Pimentel. O presidente disse que, mesmo com essa vantagem, o governador manteve o discurso de que a crise era culpa do petista.
O chefe do Executivo destacou que o acordo mais recente sobre a dívida de Minas Gerais — que prevê pagamentos escalonados e a destinação de cerca de R$ 4 bilhões para educação — só foi possível pela articulação de sua equipe econômica de Rodrigo Pacheco, como então presidente do Senado. “Graças à atitude corajosa do meu ministro da Fazenda e do Pacheco, chegamos a um acordo que interessa a Minas e ao Brasil”, disse.
O presidente disse ainda que sempre priorizou Minas, independentemente do governador. “Cuidei de Minas quando o Aécio era governador, cuidei no governo do Zema, cuidei no governo do Pimentel. Sempre estive presente. Só não tive o prazer de cuidar como presidente do Estado, mas o compromisso com Minas é permanente”, declarou.
O presidente afirmou que a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) não será privatizada durante seu governo.
“O Zema pode querer derrubar meus vetos, mas não vai derrubar. Eu vetei aquilo que os senadores compreendem que era preciso. Pode pagar a dívida com a Cemig? Tem que privatizar a Cemig? Não. A Cemig jamais será privatizada por mim. Ela é uma empresa de excelência, sabe o que precisa ser? Bem administrada”, disse Lula.
O presidente destacou que a estatal é estratégica para Minas e para o Brasil e defendeu que deve continuar pública. Ele também reiterou que o acordo firmado recentemente entre governo federal e o Estado de Minas Gerais, aprovado pela Assembleia Legislativa mineira, buscou preservar os interesses da população.
Assista à entrevista (49min20):