A primeira edição da Expo Minas Florestal, realizada de 19 a 21 de maio em Sete Lagoas, reposicionou Minas Gerais no centro do debate global sobre inovação, sustentabilidade e alta tecnologia na silvicultura. O evento, que integrou a Semana Mineira da Indústria Florestal, reuniu especialistas, investidores e comitivas de mais de dez países, transformando o interior mineiro em vitrine para o uso de Inteligência Artificial (IA) e automação no campo.
A relevância estratégica do mercado sul-americano ficou evidente com a escolha da feira por fabricantes globais para a realização de lançamentos internacionais. A gigante finlandesa Ponsse, por exemplo, escolheu o evento em Sete Lagoas para apresentar ao mundo a Buffalo Planter, sua primeira plantadeira florestal, além do novo cabeçote DH7, desenvolvido especificamente para o descasque de eucalipto.
As novidades apresentadas nos estandes revelam um setor em rápida transformação digital. Equipamentos de plantio, colheita e produção de biomassa agora chegam ao mercado incorporando sensores de alta precisão e recursos de IA para análise de dados em tempo real, otimizando a tomada de decisão no campo.
De acordo com Ricardo Malinovski, CEO da empresa organizadora do evento, a arrancada tecnológica responde a um desafio gargalo: a escassez de mão de obra qualificada. A tendência de maquinários autônomos e semiautônomos ganhou força como solução para garantir a competitividade do setor diante da disputa por áreas com outras culturas agrícolas.
"Estamos vendo avanços importantes com máquinas que incorporam sensores extremamente precisos, sistemas inteligentes de monitoramento e recursos de inteligência artificial. Essas tecnologias trazem ganhos significativos de produtividade, maior eficiência operacional e redução de custos para as empresas. O mundo precisa cada vez mais de produtos feitos a partir da madeira, e essa demanda tende a crescer", explicou Malinovski.
O evento encontrou em solo mineiro o terreno mais fértil do país. Atualmente, Minas Gerais lidera o ranking nacional de florestas plantadas, ostentando números que impressionam:
A Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF) atuou como apoiadora institucional e articuladora da cadeia. Para a presidente executiva da entidade, Adriana Maugeri, a feira supriu uma demanda histórica do estado.
"Minas Gerais já ocupa uma posição estratégica no cenário nacional das florestas plantadas e precisava de um evento dessa dimensão. A Expo Minas Florestal fortalece conexões, amplia oportunidades de negócios e evidencia a relevância econômica, social e ambiental da nossa cadeia", avaliou Maugeri, destacando que o intercâmbio de conhecimento beneficia diretamente os pequenos e médios produtores locais.
A escolha de Sete Lagoas para sediar o encontro não foi por acaso. O município é um polo consumidor e concentra indústrias produtoras de ferro-gusa que utilizam integralmente o carvão vegetal em suas operações. O modelo resulta no chamado "gusa verde", reconhecido internacionalmente pelo menor impacto ambiental e pegada de carbono reduzida em comparação às matrizes tradicionais da siderurgia global.
Durante os três dias de programação, a feira atraiu profissionais de quase todos os estados brasileiros e delegações estrangeiras vindas de países como:
"Essa presença internacional reforça a posição do Brasil como referência mundial em silvicultura e produtividade florestal quando falamos em florestas plantadas. O país possui algumas das florestas mais produtivas do mundo, resultado de investimentos contínuos em genética, tecnologia, pesquisa, manejo e inovação", apontou Ricardo Malinovski.
Para a organização, o principal legado do evento vai além das cifras movimentadas nas rodadas de negócios: reside na difusão de conhecimento técnico que os participantes levam de volta para suas regiões, impulsionando a produtividade e a sustentabilidade do setor no longo prazo.





