Os bancos começaram a se movimentar para colocar em funcionamento o Desenrola 2.0, programa do governo federal de renegociação de dívidas. A iniciativa foi regulamentada nesta terça-feira (5) pelo Ministério da Fazenda e, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os bancos já estão aptos a oferecer as condições previstas — embora o início efetivo das negociações dependa de ajustes operacionais em cada banco.
O programa tem como público-alvo pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e prevê descontos que podem chegar a 90% do valor original da dívida, além de juros limitados a 1,99% ao mês. Também é possível usar até 20% do saldo do FGTS, ou pelo menos R$ 1 mil, para quitar ou reduzir débitos.
O Ministério da Fazenda informou às 18h50min que a infraestrutura do Fundo Garantidor de Operações (FGO), necessária para registrar as renegociações, já foi liberada. Com isso, os bancos passam a ter respaldo técnico para iniciar as operações.
Segundo a Febraban,alguns bancos já estão ofertando as condições de repactuação e outros coletando pedidos de seus clientes para participar do novo Desenrola. “O programa ganhará celeridade gradual na sua execução, mesmo considerando a dimensão e a complexidade operacional”, diz a federação.
O Desenrola 2.0 permite a renegociação de débitos contratados até 31 de janeiro de 2026, desde que estejam atrasados há no mínimo 90 dias e no máximo dois anos. Entram no programa:
Além disso, os bancos têm até 30 dias para retirar das listas de inadimplência as dívidas de até R$ 100. A medida limpa o nome do consumidor, mas não extingue a dívida, que continua existindo.
O acesso ao programa é feito diretamente pelos canais dos bancos, como aplicativos e sites. Cada instituição identifica automaticamente os clientes elegíveis e apresenta propostas de renegociação.
O consumidor pode:
Banco do Brasil
Criou uma página para consulta de elegibilidade e manifestação de interesse. A efetivação da renegociação depende da conclusão das regulamentações internas.
Bradesco
Disponibilizou um formulário de pré-cadastro em seu site para clientes interessados em renegociar dívidas assim que o sistema estiver totalmente operacional.
Caixa Econômica Federal
Já direciona clientes para seus canais de atendimento: agências, site, telefone (4004-0104 e 0800-104-0104) e WhatsApp. O banco informa que as negociações serão incorporadas gradualmente.
Itaú Unibanco
Abriu um link específico para registro de interesse, mas afirma que ainda finaliza a conexão com o FGO para iniciar as renegociações.
Santander
Diz estar preparado para iniciar a oferta “o mais brevemente possível” e ressalta que mantém condições alternativas para quem não se enquadra no Desenrola 2.0.
Nubank
Informou que todo o processo ocorre dentro do aplicativo. O cliente recebe uma proposta personalizada, com valor atualizado, desconto e opções de parcelamento.
Os descontos variam conforme o tipo de dívida e o tempo de atraso, indo de 30% a 90%. A quitação pode ser feita com recursos próprios, por um novo crédito mais barato ou com dinheiro do FGTS. Nesse caso, a Caixa transfere o valor diretamente ao banco credor, sem passar pelo trabalhador.
Quem renegociar pelo programa ficará impedido de fazer apostas online por 12 meses, uma das contrapartidas previstas pelo governo.





