• Quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Itália sinaliza apoio e acordo Mercosul–União Europeia pode ser assinado nos próximos dias

Após mais de duas décadas de negociações, avanço político na União Europeia destrava tratado histórico de livre comércio - acordo Mercosul–União Europeia - e reacende debate sobre impactos no agronegócio europeu e sul-americano

Após mais de duas décadas de negociações, avanço político na União Europeia destrava tratado histórico de livre comércio – acordo Mercosul–União Europeia – e reacende debate sobre impactos no agronegócio europeu e sul-americano Depois de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia voltou ao centro do cenário internacional e nunca esteve tão perto de ser assinado. O movimento decisivo veio nesta semana com a sinalização de apoio da Itália, país que até então integrava o grupo de Estados-membros contrários ao tratado, ao lado de França, Polônia e Hungria, em função de pressões de entidades ligadas ao setor agrícola . Segundo informações da agência Reuters, a mudança de posição italiana fortalece significativamente a articulação da Comissão Europeia, que já conta com o apoio de países estratégicos como Alemanha e Espanha. Com isso, a União Europeia passa a reunir condições políticas para alcançar a maioria qualificada necessária à aprovação do acordo, ou seja, o apoio de pelo menos 15 Estados-membros que representem 65% da população do bloco — requisito essencial para que o tratado avance formalmente.
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    Negociações travadas por pressão do campo europeu O acordo estava previsto para ser assinado em 20 de dezembro do ano passado, durante a cúpula do Mercosul realizada em Foz do Iguaçu (PR). No entanto, o cronograma foi adiado após um pedido direto da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, em conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, a líder italiana argumentou que precisava de mais tempo para dialogar com os produtores rurais do país, preocupados com os efeitos da abertura comercial sobre a agricultura europeia . window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});A principal resistência vinha do temor de que a redução de tarifas para commodities agropecuárias oriundas de Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia aumentasse a competitividade dos produtos sul-americanos no mercado europeu, pressionando preços internos e afetando a renda dos agricultores locais. Carta da Comissão Europeia destrava apoio italiano O ponto de virada ocorreu após o envio de uma carta oficial da Comissão Europeia, na terça-feira (6), propondo acelerar um pacote de apoio de 45 bilhões de euros aos agricultores europeus. A iniciativa foi descrita por Giorgia Meloni como um “passo positivo e significativo”, capaz de oferecer maior segurança política e econômica ao setor agrícola da Itália diante do novo cenário comercial . Além disso, o ministro italiano da Agricultura, Francesco Lollobrigida, destacou que a proposta da União Europeia não apenas preserva, mas prevê o aumento dos investimentos no setor agrícola entre 2028 e 2034, contrariando o receio inicial de cortes ou redução de subsídios com a entrada em vigor do acordo . Votação e possível assinatura do acordo Mercosul–União Europeia já na próxima semana Com o novo posicionamento, uma fonte da União Europeia informou à Reuters que a Itália deve votar a favor do acordo em reunião marcada para sexta-feira (9). Caso o cenário se confirme, a expectativa é que a assinatura oficial do tratado ocorra já na próxima segunda-feira (12), selando um dos mais amplos acordos comerciais do mundo em termos de população e volume econômico . Impactos para o Mercosul e o agronegócio brasileiro Para os países do Mercosul, especialmente o Brasil, o acordo representa a ampliação do acesso a um dos mercados mais exigentes e valiosos do planeta, com potencial de redução de tarifas para produtos como carnes, grãos, açúcar, etanol e derivados do agronegócio. Ao mesmo tempo, o tratado impõe regras rígidas em áreas como sustentabilidade, rastreabilidade e padrões sanitários, que devem moldar a competitividade das exportações sul-americanas nos próximos anos. O avanço do acordo ocorre em um momento estratégico para o comércio internacional, marcado por tensões geopolíticas, revisão de cadeias globais de suprimento e crescente disputa por mercados consumidores. Se confirmado, o tratado Mercosul–União Europeia tende a reposicionar o bloco sul-americano no comércio global, ao mesmo tempo em que aprofunda o debate interno na Europa sobre proteção agrícola e segurança alimentar.
    Por: Redação

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