• Quinta-feira, 4 de junho de 2026

Governo muda avaliação e vê aval direto de Trump em medidas contra o Brasil

Integrantes do governo deixaram de tratar as ações dos EUA como decisões isoladas e passaram a atribuí-las à estratégia da Casa Branca

O governo federal passou a considerar que as recentes medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil contam com o aval direto do presidente Donald Trump. A avaliação marca uma mudança de postura em relação às análises iniciais feitas por integrantes do Palácio do Planalto, que viam parte das ações como iniciativas isoladas de setores da administração americana.

Segundo interlocutores do governo, a percepção agora é de que Trump está pessoalmente alinhado às medidas anunciadas por Washington, incluindo a classificação das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e as investigações comerciais envolvendo produtos brasileiros.

Apesar do diagnóstico mais pessimista, integrantes do governo avaliam que ainda há espaço para negociação em torno das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos. A expectativa é que os canais diplomáticos e os grupos de trabalho criados para discutir a relação comercial entre os dois países possam evitar a aplicação de sobretaxas mais severas sobre exportações brasileiras.

Nos bastidores, a avaliação é que Washington dificilmente voltará atrás em decisões já tomadas, especialmente nas questões relacionadas ao combate ao crime organizado e às alegações envolvendo trabalho forçado. Ainda assim, o governo brasileiro pretende manter o diálogo diplomático e apresentar argumentos técnicos para contestar as medidas.

A mudança de percepção ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasília e Washington. Nas últimas semanas, o governo Lula tem reagido a uma série de ações adotadas pelos Estados Unidos, incluindo restrições comerciais e a decisão de enquadrar PCC e Comando Vermelho em listas ligadas ao terrorismo.

O Planalto também estuda possíveis respostas no campo comercial, incluindo o uso dos instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, caso considere que as medidas americanas violam as regras do comércio internacional.

* Com informações de CNN

Por: ITATIAIA

Artigos Relacionados: