O fortalecimento do agronegócio familiar no oeste paraense ganhou um novo capítulo com o fomento direto à produção de tambaqui. Através da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), o governo estadual viabilizou a distribuição de 100 mil alevinos para o município de Uruará. A medida faz parte de um plano estratégico de inclusão produtiva, segurança alimentar e geração de renda, transformando a vocação hídrica local em um negócio rentável e sustentável para centenas de famílias da região.
A ação foi executada em regime de cooperação com a Prefeitura de Uruará, contemplando diretamente 200 piscicultores da região. Como critério de governança e sustentabilidade, todos os beneficiários possuem propriedades devidamente regularizadas e registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR). O acompanhamento técnico contínuo assegura que o insumo entregue se converta em resultados práticos no campo, profissionalizando a atividade e solidificando a base da economia rural do município.
Logística eficiente e infraestrutura para a produção de tambaquiO sucesso da operação dependeu de um fluxo logístico rigoroso. Os filhotes de peixe foram transportados a partir da Estação de Reprodução e Alevinagem de Santa Rosa, em Santarém. O trajeto até Uruará utilizou a Rodovia PA-370 (Transuruará), com os animais acondicionados em tanques especiais dotados de sistemas de oxigenação.
De acordo com o corpo técnico local, a recente pavimentação asfáltica da rodovia foi determinante para reduzir o tempo de tráfego, minimizando as perdas por estresse hídrico e garantindo a sobrevivência do plantel que vai abastecer a produção de tambaqui. A melhoria na infraestrutura viária reflete diretamente na redução do custo Brasil para o produtor nortista.
Assistência técnica como pilar de sustentabilidadeO impacto socioeconômico da iniciativa foi destacado por Ragner Ferreira, médico veterinário da Secretaria Municipal de Agricultura de Uruará. Segundo o especialista, o pequeno produtor rotineiramente enfrenta barreiras de capital de giro e logística para iniciar os ciclos de cultivo, tornando o papel do Estado indispensável.
“Esta iniciativa é fundamental porque apoia diretamente o pequeno e médio produtor, que muitas vezes encontra barreiras para iniciar ou expandir seus negócios. Com a entrega dos alevinos aliada ao acompanhamento técnico, criamos oportunidades reais de renda e de evolução na qualidade de vida dessas famílias”, apontou Ferreira.
Planejamento de longo prazo na aquicultura paraenseA distribuição não se limita a uma entrega pontual de insumos, mas faz parte de uma política macro de desenvolvimento. Conforme pontuou Otávio Macedo, coordenador da Sedap em Santarém, a iniciativa está inserida em uma política pública contínua de ordenamento e expansão da aquicultura na Amazônia.
“Trabalhamos com planejamento. Não entregamos apenas o peixe, entregamos o suporte técnico qualificado. Essa assistência garante que o produtor rural consiga extrair a máxima produtividade da lâmina d’água, alcançando rentabilidade com total respeito ao meio ambiente”, explicou Macedo.
Com a consolidação deste projeto, Uruará caminha para se tornar um polo dinâmico na oferta de pescado de alta qualidade, garantindo o abastecimento regional e mostrando a força da piscicultura planejada.





