• Sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Funcionários da ONU pedem que Türk declare genocídio em Gaza

Carta assinada por centenas de servidores das Nações Unidas pressiona chefe de direitos humanos a usar o termo.

Centenas de funcionários da ONU (Organização das Nações Unidas) pediram ao alto comissário para Direitos Humanos, Volker Türk, que ele passe a usar o termo “genocídio” para descrever a guerra em Gaza, segundo o documento ao qual a agência Reuters teve acesso.

Em uma carta enviada na 4ª feira (27.ago.2025), os servidores da ONU disseram considerar que os critérios legais para genocídio na guerra de quase 2 anos entre Israel e o grupo Hamas em Gaza foram cumpridos, citando escala, escopo e natureza das violações ali documentadas.

“O ACNUDH [Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos] tem a forte responsabilidade legal e moral de denunciar atos de genocídio”, afirma a carta assinada pelo Escritório do ACNUDH em nome de mais de 500 funcionários, que insta Türk a assumir uma “posição clara e pública”.

“Deixar de denunciar um genocídio em curso mina a credibilidade da ONU e do próprio sistema de direitos humanos”, acrescenta o documento.

Segundo a Reuters, a carta também cita como alerta o fracasso moral do organismo internacional por não ter feito mais para impedir o genocídio de Ruanda em 1994, que matou mais de 1 milhão de pessoas. Türk conta com o apoio total e incondicional do secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, acrescentando: “A rotulagem de um evento como genocídio cabe a uma autoridade legal competente”.

Guterres usou a rede social X, na 4ª feira (28.ago), para comentar a intenção de Israel de ocupar a Cidade de Gaza: “Centenas de milhares de civis seriam forçados a fugir novamente, colocando suas famílias em perigo ainda maior. Isso precisa acabar. Não há solução militar para o conflito”, disse.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel disse à Reuters que não vai comentar o conteúdo da carta dos funcionários da ONU, “mesmo que seja falso, infundado e cego por ódio obsessivo contra Israel”. Israel nega acusações de genocídio em Gaza, alegando legítima defesa contra o Hamas.

Alguns grupos de direitos humanos, como a Anistia Internacional, já acusaram Israel de cometer genocídio. A relatora especial da ONU, Francesca Albanese, também usou o termo, mas não a própria ONU. Autoridades da ONU já afirmaram que cabe aos tribunais internacionais determinar o genocídio.

Em 29 de dezembro de 2023, a África do Sul apresentou um pedido contra Israel alegando o descumprimento das suas obrigações nos termos da Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio em relação aos palestinos na Faixa de Gaza.

A convenção, criada em 1948 em resposta ao Holocausto na 2ª Guerra Mundial, caracteriza genocídio como atos “cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”.

O ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 matou 1.219 pessoas em Israel, a maioria civis, e resultou em 251 reféns, segundo dados israelenses. A ofensiva israelense já deixou mais de 62.000 mortos em Gaza, segundo o ministério da Saúde do enclave, número considerado confiável pela ONU.

Por: Poder360

Artigos Relacionados: