• Segunda-feira, 25 de maio de 2026

Fazenda de Sabrina Sato vira referência em café sustentável e agricultura regenerativa

Às margens da Represa de Jurumirim, fazenda da família Sato aposta no café arábica, agricultura regenerativa e preservação ambiental em um modelo alinhado às novas exigências do agro global e do consumo consciente.

O café brasileiro vive uma transformação silenciosa — e ela não acontece apenas nas grandes cooperativas ou nas tradicionais regiões produtoras de Minas Gerais. Cada vez mais, propriedades ligadas à rastreabilidade, sustentabilidade e agricultura regenerativa vêm ganhando espaço dentro de um mercado que exige origem, responsabilidade ambiental e valor agregado. É nesse contexto que surge a Fazenda Nossa Terra, propriedade da família de Sabrina Sato, localizada em Piraju, no interior de São Paulo.

Mais do que uma fazenda de celebridade, a propriedade passou a chamar atenção por integrar um movimento crescente dentro da cafeicultura brasileira: a busca por produção sustentável aliada à recuperação ambiental e à valorização do terroir nacional. A área entrou recentemente para o programa Nescafé Plan, iniciativa global da Nestlé voltada ao incentivo de práticas regenerativas na cadeia do café.

A movimentação ocorre em um momento importante para o setor. O agronegócio brasileiro vive pressão crescente de mercados internacionais por métricas ESG, rastreabilidade e redução de impacto ambiental. Na prática, isso vem mudando a forma como produtores se posicionam — especialmente em culturas de exportação como o café.A Fazenda Nossa Terra possui cerca de 50 hectares cultivados e produção voltada ao café arábica, variedade amplamente consumida no Brasil e no exterior devido ao sabor mais suave e à maior complexidade aromática.

O diferencial, porém, está no modelo adotado pela família Sato. A propriedade trabalha com práticas ligadas à agricultura regenerativa, conceito que ganhou força globalmente nos últimos anos e que busca ir além da simples preservação ambiental.

Na prática, o objetivo desse modelo é recuperar o solo, ampliar biodiversidade, preservar recursos hídricos e reduzir dependência de fertilizantes químicos. Isso inclui cobertura vegetal permanente, corredores ecológicos, diversificação de culturas e uso mais racional de insumos.

Na fazenda de Sabrina Sato, frutas como banana, limão, acerola e mamão são cultivadas próximas aos cafezais justamente para auxiliar na proteção natural das lavouras e contribuir para o equilíbrio biológico do ambiente.

Esse tipo de manejo vem sendo observado com atenção por especialistas porque reduz vulnerabilidade climática e melhora a resiliência produtiva — tema cada vez mais sensível diante de eventos extremos que afetam a cafeicultura brasileira nos últimos anos, como secas prolongadas, ondas de calor e geadas.

O movimento observado em Piraju acompanha uma mudança estrutural do mercado mundial de café. Hoje, grandes compradores internacionais exigem comprovação ambiental, rastreabilidade e conformidade social como pré-requisitos comerciais.

Isso significa que sustentabilidade deixou de ser apenas discurso de marketing e passou a funcionar como fator econômico direto.

Programas como o Nescafé Plan surgem justamente nesse cenário. Segundo informações divulgadas pela própria iniciativa, o programa reúne milhares de famílias produtoras no Brasil e atua com assistência técnica, certificações e adequação ambiental das propriedades.

A entrada da Fazenda Nossa Terra nesse ecossistema mostra como até produtores fora do eixo tradicional da cafeicultura estão buscando inserção em cadeias de valor mais sofisticadas.

Além disso, há outro aspecto importante: o consumidor também mudou.

O mercado premium de café cresce de forma consistente no Brasil, impulsionado principalmente por consumidores urbanos interessados em origem, métodos de produção e impacto ambiental. Isso abriu espaço para propriedades menores ou médias construírem marcas associadas à autenticidade e sustentabilidade.

Embora estados como Minas Gerais e Espírito Santo liderem a produção nacional, o interior paulista vive uma retomada gradual da cafeicultura de qualidade, especialmente em regiões com altitude, clima favorável e forte apelo turístico.

Piraju, onde está localizada a fazenda da família Sato, aparece nesse contexto como uma região estratégica. Situada às margens da Represa de Jurumirim, a cidade reúne condições naturais que favorecem tanto o cultivo quanto iniciativas ligadas ao turismo rural e à valorização da produção artesanal.

A associação entre café, experiência e lifestyle também explica o interesse crescente de celebridades e investidores urbanos pelo setor cafeeiro.

Mas, diferentemente de projetos puramente comerciais, a Fazenda Nossa Terra vem sendo apresentada pela própria família como um projeto de vínculo emocional e reconexão com o interior paulista.

Karina Sato, irmã da apresentadora, revelou que a relação da família com o café ganhou ainda mais significado após o pai, Omar Sato, ser diagnosticado com câncer no pâncreas em 2025. Segundo ela, a atividade acabou funcionando como espaço de união familiar e propósito coletivo.

Especialistas do setor avaliam que modelos regenerativos tendem a ganhar força no agro brasileiro, principalmente em cadeias voltadas à exportação e produtos premium.

Isso acontece porque o produtor rural começa a perceber que práticas sustentáveis não representam apenas custo adicional, mas também proteção de longo prazo da propriedade, acesso a mercados diferenciados e possibilidade de maior remuneração.

No café, especificamente, a tendência é ainda mais forte.

O Brasil segue como maior produtor e exportador mundial, mas enfrenta pressão crescente de compradores internacionais ligados a critérios ambientais. Com a implementação de novas exigências globais, como regras europeias de rastreabilidade e controle de desmatamento, propriedades que conseguem comprovar boas práticas tendem a sair na frente.

Nesse cenário, iniciativas como a Fazenda Nossa Terra acabam simbolizando algo maior do que apenas uma produção familiar de café.

Elas refletem uma nova fase da cafeicultura brasileira — mais conectada à regeneração ambiental, ao consumo consciente e à valorização da origem do produto.

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Por: Redação

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