• Segunda-feira, 25 de maio de 2026

Frio extremo mata mais de 80 bovinos e deixa pecuaristas em alerta no Mato Grosso do Sul

Com mais de 80 mortes registradas em propriedades de Mato Grosso do Sul, onda de frio extremo expõe a importância de abrigo, nutrição e planejamento sanitário para evitar prejuízos na pecuária.

A morte de mais de 80 bovinos durante a recente onda de frio em Mato Grosso do Sul acendeu um alerta para a pecuária brasileira: o inverno deixou de ser apenas um desafio climático e passou a exigir planejamento de manejo, estrutura de abrigo e atenção nutricional dentro das fazendas. Segundo informações da Iagro, os casos ocorreram em pelo menos cinco propriedades rurais, com registros concentrados principalmente em Nova Andradina e Angélica, em meio a temperaturas abaixo de 7°C e sensação térmica próxima de 0°C em algumas regiões.

Embora o Centro-Oeste seja tradicionalmente associado ao calor, episódios de frio intenso, quando combinados com vento, chuva, umidade e baixa condição corporal dos animais, podem provocar hipotermia e levar bovinos à morte.

O episódio reforça uma realidade que nem sempre recebe a devida atenção no campo: o gado criado a pasto, especialmente em áreas abertas e sem proteção natural, também pode ser altamente vulnerável a extremos climáticos.

Por que o frio pode matar bovinos?

A principal suspeita nos casos registrados em Mato Grosso do Sul é a hipotermia, condição causada pela perda excessiva de calor corporal. Em bovinos, esse risco aumenta quando o animal enfrenta queda brusca de temperatura sem abrigo adequado, principalmente em noites frias, com vento forte e umidade elevada.

O problema não está apenas no termômetro. A combinação entre frio, vento e chuva reduz a capacidade do animal de manter a temperatura corporal. Quando o bovino já está debilitado, magro, jovem ou com baixa disponibilidade de pasto, o organismo tem menos energia para reagir ao estresse térmico.

Na prática, isso significa que o frio extremo não atinge todos os animais da mesma forma. Bezerros, animais jovens, vacas mais fracas, bovinos mal nutridos e lotes mantidos em pastagens abertas tendem a sofrer mais.

Frio extremo mata mais de 80 bovinos

De acordo com os registros citados pela Iagro, foram contabilizadas 83 mortes de bovinos em Mato Grosso do Sul. Desse total, 74 animais estavam em quatro propriedades de Nova Andradina, enquanto outros nove foram registrados em uma fazenda no município de Angélica.

O número chama atenção porque, segundo a própria agência, não houve registro de mortes de bovinos por hipotermia em 2025. O contraste mostra como eventos climáticos pontuais, quando severos, podem causar perdas rápidas e concentradas.

Falta de abrigo agrava o risco

Um dos pontos centrais do alerta é a ausência de proteção física nas pastagens. Bovinos mantidos em áreas abertas ficam mais expostos ao vento frio, especialmente quando não há árvores, capões de mata, barreiras naturais ou estruturas artificiais.

A recomendação técnica é simples, mas decisiva: em períodos de frio intenso, o rebanho deve ter acesso a áreas protegidas, preferencialmente com vegetação, quebra-vento ou piquetes que reduzam a exposição direta ao clima.

Também é recomendado evitar que os animais permaneçam em invernadas próximas a corpos d’água, onde a umidade e a sensação térmica podem piorar o quadro.

Nutrição vira ferramenta de proteção

Outro fator determinante é o estado nutricional. Animais bem alimentados têm mais energia para manter a temperatura corporal. Por isso, a suplementação durante ondas de frio não deve ser vista apenas como estratégia produtiva, mas também como medida de proteção.

A orientação é reforçar o fornecimento de forragens, volumosos ou concentrados, especialmente quando a pastagem está escassa. Em momentos de frio severo, o animal gasta mais energia para se manter aquecido; se essa energia não vem da dieta, o risco de colapso aumenta.

Impacto econômico vai além da perda direta

A morte de animais representa prejuízo imediato ao produtor, mas o impacto pode ir além. Há perda patrimonial, necessidade de descarte correto das carcaças, risco sanitário e possível comprometimento do desempenho do restante do lote.

Além disso, casos como esse expõem uma vulnerabilidade importante da pecuária a pasto: eventos climáticos extremos exigem cada vez mais gestão preventiva. Assim como seca, calor e falta de água já fazem parte do planejamento de risco, o frio intenso também precisa entrar na conta.

O que o produtor deve fazer

As principais medidas recomendadas são:

Recolher o rebanho para piquetes com proteção natural, como capões de mata, bosques ou áreas arborizadas;

  • Usar barreiras naturais ou artificiais contra vento frio;
  • Evitar áreas abertas próximas a rios, represas ou baixadas úmidas;
  • Separar animais debilitados, jovens ou mais sensíveis para manejo específico;
  • Garantir suplementação alimentar antes e durante a frente fria;
  • Manter acompanhamento veterinário e atenção ao calendário sanitário;
  • Comunicar a Iagro em caso de mortalidade acima do normal.
  • A remoção rápida das carcaças também é essencial para reduzir riscos sanitários, como botulismo e outras enfermidades associadas à decomposição.

    Um alerta para a pecuária brasileira

    O episódio em Mato Grosso do Sul não deve ser tratado como caso isolado, mas como aviso. A pecuária brasileira está cada vez mais exposta a extremos climáticos, e isso exige adaptação no manejo diário.

    O frio extremo mostrou que produtividade, sanidade e bem-estar animal caminham juntos. Não basta ter pasto e água: em cenários climáticos mais instáveis, abrigo, nutrição e monitoramento passam a ser parte da segurança do sistema produtivo.

    Para o pecuarista, a lição é direta: preparar o rebanho antes da chegada da frente fria pode significar a diferença entre atravessar o inverno com segurança ou enfrentar perdas evitáveis.

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    Por: Redação

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