• Terça-feira, 14 de abril de 2026

Exportação de café do Brasil atinge 3 milhões de sacas em março, recuo de 8%

Relatório do Cecafé aponta recuo nos embarques em março devido à entressafra e entraves logísticos, enquanto cafeicultores capitalizados aguardam o início da colheita da safra 2026.

Os embarques brasileiros de café somaram 3,040 milhões de sacas de 60 kg em março, gerando uma receita cambial de US$ 1,125 bilhão. Na comparação com o mesmo mês de 2025, há queda de 7,8% em volume e de 15,1% em valores. Os dados são do relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Com a performance, as exportações do produto chegaram a 29,093 milhões de sacas no acumulado dos nove primeiros meses do ano safra 2025/2026, montante 21,2% inferior ao aferido no mesmo intervalo anterior. Em receita, as remessas renderam US$ 11,431 bilhões, registrando alta de 2,9% ante o apurado entre julho de 2024 e março de 2025.

Ano civil

No primeiro trimestre deste ano, os embarques de café do Brasil totalizaram 8,465 milhões de sacas, o que implica declínio de 21,2% frente aos 10,739 milhões apurados de janeiro ao fim de março do ano passado. A receita cambial foi de US$ 3,371 bilhões, 13,6% aquém dos US$ 3,901 bilhões levantados com as remessas cafeeiras nos três primeiros meses de 2025.

De acordo com o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o desempenho negativo reflete o período de entressafra da cafeicultura no Brasil e o atual cenário financeiro dos produtores. “A nova safra começará a chegar ao mercado em abril para o caso dos cafés canéforas, nossos robusta e conilon, e mais para o final de maio quando o foco são os arábicas. Além disso, os cafeicultores se encontram capitalizados e analisando os melhores momentos para negociar seus cafés remanescentes, assim, há menor disponibilidade do produto”, explica.

Adicionalmente, ele aponta que o cenário logístico e a geopolítica global também impactaram o desempenho das exportações. “A infraestrutura defasada nos portos do país, cujo avanço não acompanha a evolução do agronegócio, segue interferindo na capacidade de exportação, com centenas de contêineres ficando retidos nos portos aguardando embarque e gerando prejuízos milionários aos exportadores”, afirma.

“Além disso, as negociações com os EUA vêm sendo retomadas gradualmente após o tarifaço, já que ainda imperam incertezas sobre a política comercial norte-americana, bem como as complicações no Estreito de Ormuz, devido aos conflitos no Oriente Médio, reduzem os negócios em função de maiores custos aos importadores, que enfrentam fretes mais caros e valores de seguro marítimo elevadíssimos, isso quando há seguradoras que disponibilizam o serviço”, completa Ferreira.

Principais destinos

A Alemanha permanece como o maior importador dos cafés do Brasil no primeiro trimestre de 2026, com a aquisição de 1,192 milhão de sacas. Esse volume implica queda de 15,63% na comparação com o mesmo período de 2025 e representa 14,1% dos embarques totais do país no intervalo.

Os EUA aparecem na sequência, com 936.617 sacas adquiridas, o que representa recuo de 48,3% ante o primeiro trimestre de 2025 e 11,1% do total. Fechando o top 5, vêm Itália, com 885.162 sacas e alta de 10,2%; Bélgica, com 527.456 sacas e avanço de 4,5%; e Japão, com 440.085 sacas e declínio de 35%.

Tipos de café

O café arábica, com 6,712 milhões de sacas, permaneceu como o mais exportado pelo Brasil no primeiro trimestre de 2026. Esse montante equivale a 79,3% do total embarcado, apesar de representar queda de 25,8% frente aos três primeiros meses do ano passado. Na sequência, com o equivalente a 963.168 sacas remetidas ao exterior, aparece o segmento do café solúvel, com leve baixa de 1,5% na comparação com o primeiro trimestre de 2025.

Esse tipo de produto respondeu por 11,4% das exportações totais no período atual. Os cafés canéforas (conilon + robusta), com 780.911 sacas – alta de 11% e 9,2% do total –, e o produto torrado e torrado e moído, com 9.867 sacas (-29,9% e 0,1% de representatividade), completam a lista.

Cafés diferenciados

Os cafés que possuem qualidade superior, certificados de práticas sustentáveis e/ou especiais responderam por 19,1% das exportações totais brasileiras de janeiro ao fim de março deste ano, com a remessa de 1,618 milhão de sacas ao exterior. Esse volume é 42,7% inferior ao registrado no mesmo intervalo de 2025.

A um preço médio de US$ 451,56 por saca, a receita cambial com os embarques dos cafés diferenciados foi de US$ 730,751 milhões, o que correspondeu a 21,7% do obtido com todos os embarques de café no primeiro trimestre deste ano. No comparativo anual, o valor é 37,7% menor do que o registrado nos três primeiros meses de 2025.

A Alemanha também liderou o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a compra de 226.716 sacas, o equivalente a 14% do total desse tipo de produto exportado. Fechando o top 5, aparecem Itália, com 192.042 sacas e representatividade de 11,9%; Bélgica, com 177.593 sacas (11%); EUA, com 166.712 sacas (10,3%); e Holanda (Países Baixos), com 120.754 sacas (7,5%).

Portos

O Porto de Santos foi o principal exportador dos cafés do Brasil no primeiro trimestre, com 6,409 milhões de sacas e representatividade de 75,7% no total. Na sequência, vieram o complexo portuário do Rio de Janeiro, que respondeu por 20,3% dos embarques ao remeter 1,716 milhões de sacas ao exterior, e o Porto de Paranaguá (PR), que exportou 108.293 sacas e teve representatividade de 1,3%.

Por: Redação

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