O desaparecimento da égua Amora começou como um acidente aparentemente isolado em um bairro da região Leste de Belo Horizonte. Poucas horas depois, o caso já havia provocado a interrupção de um dos principais sistemas de abastecimento da capital mineira, deixado centenas de bairros sem água e mobilizado uma operação inédita dentro da rede subterrânea da Copasa.
A história ganhou repercussão nacional não apenas pelos impactos causados na Grande BH, mas também pelo drama envolvendo o tutor do animal e o filhote que a égua deixou para trás.
Amora, uma égua da raça Mangalarga Marchador, caiu dentro de uma adutora do Sistema Rio das Velhas na tarde de segunda-feira (4), no bairro Paraíso, em Belo Horizonte. Segundo o tutor, o pedreiro Rodrigo Aparecido, ela era um animal dócil, não costumava ficar solta nas ruas e estava sendo conduzida no cabresto durante um passeio rotineiro.
“Ela não é um animal de ficar na rua”, relatou Rodrigo à imprensa mineira. Segundo ele, o passeio seguia um caminho habitual até uma bica d’água da região.
De acordo com o tutor, tudo aconteceu em segundos.
Amora caminhava normalmente quando pisou sobre uma tampa da estrutura subterrânea da Copasa. A tampa não suportou o peso do animal e cedeu imediatamente.
“Quando ela pisou com as patas de trás ela caiu e já sumiu”, contou Rodrigo.
O pedreiro afirmou que ainda tentou segurar a égua junto com um amigo, mas não conseguiu impedir que ela fosse puxada pela força da água.
“É muito pesada, poderia ter me arrastado também lá para dentro”, disse.
A adutora integra o Sistema Rio das Velhas, responsável por grande parte do abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A estrutura possui cerca de 2,4 metros de diâmetro e opera com grande pressão e fluxo intenso de água.
O caso ganhou ainda mais comoção após o tutor revelar que Amora estava prenha novamente e havia dado cria recentemente.
Segundo Rodrigo Aparecido, a égua tinha um potro de poucos meses, chamado Safira, que ficou sem a mãe após o acidente.
Em entrevistas à imprensa mineira, o tutor relatou forte abalo emocional e descreveu Amora como parte da família. Além disso, ele contou que a égua estava prenha de aproximadamente cinco meses no momento da queda.
As imagens do pequeno potro ao lado do tutor repercutiram nas redes sociais e ampliaram a mobilização em torno do caso.
Após a queda, Rodrigo acionou inicialmente o Corpo de Bombeiros e a Copasa.
Segundo ele, as buscas não começaram imediatamente. O tutor afirmou que chegou a receber a informação de que o animal provavelmente já estaria morto.
Somente na terça-feira (5), após a paralisação do sistema de abastecimento, a operação ganhou força.
A Copasa utilizou drones, equipamentos robóticos e inspeções internas para localizar a égua dentro da tubulação subterrânea.
Funcionários da companhia passaram a rastrear sinais do animal até localizarem partes da pele dentro da estrutura. A partir daí, as equipes seguiram o trajeto percorrido pela correnteza até encontrar Amora.
O corpo da égua foi localizado apenas no final da madrugada desta quarta-feira (6), depois de quase dois dias de buscas.
Segundo relatos divulgados pela imprensa local, o animal já foi encontrado sem vida e em partes, preso dentro da tubulação.
Vídeos que circularam nas redes sociais mostraram o momento em que equipes da operação localizaram a égua dentro da adutora.
Para realizar as buscas e evitar risco sanitário, a Copasa interrompeu temporariamente o Sistema Rio das Velhas.
A decisão afetou diretamente o abastecimento em Belo Horizonte e cidades da Região Metropolitana, atingindo mais de 700 bairros, segundo balanço divulgado pela companhia e repercutido pela imprensa mineira.
A falta de água provocou suspensão de aulas, cancelamento de atividades em escolas e dificuldades no funcionamento de hospitais e serviços públicos.
Em Nova Lima, escolas e creches municipais suspenderam as atividades. O CEFET-MG também interrompeu aulas presenciais em unidades afetadas pela falta de abastecimento.
A Copasa informou que toda a água do trecho contaminado foi descartada e que o sistema passou por um processo completo de sanitização e desinfecção química antes da retomada do abastecimento.
Mesmo após a localização do animal, Rodrigo Aparecido afirmou inicialmente que ainda tinha dúvidas se o corpo encontrado realmente era o de Amora.
Segundo ele, as imagens divulgadas pela operação mostravam o animal de longe e a coloração parecia diferente.
“Quero uma foto de frente para ter certeza”, declarou o tutor à imprensa.
Ele também afirmou que não foi autorizado a acompanhar parte da operação de retirada da égua.
Após a repercussão, a Copasa informou que iniciou uma vistoria em outras estruturas semelhantes da rede para identificar possíveis falhas.
Segundo a companhia, a tampa que cedeu apresentava problemas estruturais e a causa da quebra ainda está sendo investigada.
O episódio também levantou discussões sobre segurança em estruturas subterrâneas urbanas e os riscos envolvendo tampas e caixas de passagem em áreas com circulação de pessoas e animais.
Enquanto isso, a imagem do potro órfão de Amora acabou se tornando um dos símbolos mais marcantes do caso que paralisou parte da Grande BH e chamou atenção de todo o país.
Momento em que a égua foi encontrada.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.





