• Quinta-feira, 7 de maio de 2026

Sistema antigranizo deve proteger 14 municípios da Serra Gaúcha até o fim do ano

Com investimento estimado em R$ 15 milhões, tecnologia promete reduzir danos do granizo em lavouras, casas e estruturas urbanas; operação do sistema antigranizo deve começar entre outubro e novembro

A Serra Gaúcha deve contar, ainda neste ano, com um sistema antigranizo para proteger 14 municípios contra um dos eventos climáticos que mais causam prejuízos à produção agrícola da região. A iniciativa, conduzida por um consórcio intermunicipal, tem previsão de entrar em operação entre outubro e novembro de 2026 e deve receber investimento estimado em R$ 15 milhões.

O projeto foi destacado pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Farroupilha, Márcio Ferrari, durante participação no programa Bom Dia Trabalhador, da Rádio Viva 94,5 FM. Segundo ele, as conversas estão avançadas e a expectativa é que o sistema esteja em funcionamento até outubro, embora ajustes ainda possam ocorrer até a implantação definitiva.

A tecnologia segue um modelo já utilizado há quase 30 anos em Santa Catarina. O objetivo é atuar sobre as nuvens de tempestade para reduzir ou dissipar a formação de granizo ainda na atmosfera. Quando isso não é totalmente possível, o sistema busca diminuir o tamanho das pedras, reduzindo os danos em lavouras, residências, veículos e demais estruturas.

De acordo com Ferrari, o avanço é importante porque o granizo afeta não apenas o campo, mas também as áreas urbanas. “Esse sistema antigranizo vai servir para todo o município, não é só para a área rural”, afirmou durante a entrevista, ao lembrar que a proteção deve alcançar tanto a produção agrícola quanto moradias e estruturas das cidades.

Quais municípios devem ser atendidos

O sistema deve abranger Antônio Prado, Bento Gonçalves, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi, Ipê, Monte Belo do Sul, Nova Pádua, Nova Roma do Sul, Pinto Bandeira, Santa Tereza e São Marcos.

A implantação ocorre em um momento de maior preocupação dos agricultores com eventos climáticos extremos. Na entrevista, Ferrari afirmou que produtores da região estão atentos às previsões relacionadas ao El Niño, embora ainda não haja confirmação concreta de que o fenômeno terá a mesma intensidade de 2024. Mesmo assim, o setor vem adotando medidas de prevenção.

Entre elas estão o aumento da contratação de seguros agrícolas, o uso do Proagro e práticas de manejo para reduzir perdas no solo, como adubação verde, cobertura vegetal, curvas de nível, drenagem e valetas em áreas mais vulneráveis. Essas estratégias ganharam força especialmente entre produtores que sofreram com deslizamentos e excesso de chuva em anos recentes.

Além do sistema antigranizo, Ferrari também chamou atenção para uma mudança importante na rotina dos agricultores gaúchos: desde 1º de maio, a emissão de novas notas fiscais deve ser feita apenas de forma eletrônica. O antigo talão físico deixou de ser usado para novas emissões, mas deve ser guardado, pois pode servir como comprovante em processos previdenciários, principalmente na aposentadoria rural.

Na prática, a carga agrícola deverá continuar acompanhada de nota fiscal durante o transporte. Segundo Ferrari, o documento pode ser emitido até um ou dois dias antes da saída do produto, desde que a data de saída seja preenchida corretamente e a nota acompanhe obrigatoriamente a carga para evitar multas fiscais.

Com a união dos municípios e o investimento previsto, o sistema antigranizo surge como uma tentativa de ampliar a segurança climática da Serra Gaúcha, região fortemente ligada à agricultura familiar, à fruticultura e à produção de alimentos. A expectativa é que, se implantado dentro do prazo, o projeto ajude a reduzir prejuízos recorrentes causados por tempestades de granizo e dê mais previsibilidade ao produtor rural.

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Por: Redação

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