• Terça-feira, 5 de maio de 2026

Embrapa avança na agenda sustentável e lança selo de baixo carbono para milho e sorgo

Nova iniciativa busca medir emissões, certificar a produção e ampliar competitividade do agro brasileiro no mercado internacional.

A Embrapa ampliou sua estratégia de agricultura sustentável ao lançar programas voltados ao milho e ao sorgo de baixo carbono, iniciativa que abre caminho para a criação de um selo de certificação ambiental para os grãos. A proposta busca medir, validar e comprovar a redução das emissões de gases de efeito estufa ao longo da produção, atendendo às exigências de mercados cada vez mais rigorosos.

Os programas Milho Baixo Carbono (MBC) e Sorgo Baixo Carbono (SgBC) foram apresentados em 2026 e têm como foco a mensuração da intensidade de carbono por tonelada produzida, diferenciando produtores mais eficientes do ponto de vista ambiental.

Selo de baixo carbono ganha força no agro

Embora a Embrapa trate inicialmente as iniciativas como “programas” e “marcas-conceito”, o projeto prevê a implementação de um selo de baixo carbono, que será disponibilizado ao mercado após a validação dos protocolos técnicos.

Esse selo funcionará como uma certificação voluntária, com auditoria independente, baseada no sistema de medição, relato e verificação (MRV), garantindo transparência e confiabilidade dos dados ambientais.

Na prática, o selo deve:

  • Comprovar a pegada de carbono da produção
  • Valorizar grãos produzidos com menor emissão
  • Atender exigências de compradores internacionais, especialmente em mercados mais rigorosos
  • Como funciona a certificação

    O modelo será desenvolvido em duas etapas principais:

    1. Desenvolvimento e validação técnica

  • Criação de protocolos científicos para medir emissões
  • Testes em campo ao longo de ciclos produtivos
  • Coleta de dados sobre insumos, operações e carbono no solo
  • 2. Implementação do selo

  • Certificação realizada por empresas independentes
  • Adesão voluntária dos produtores
  • Inserção no mercado como diferencial competitivo
  • A abertura de um edital para seleção de parceiros está prevista para agosto de 2026, etapa considerada essencial para viabilizar a validação prática dos indicadores.

    Foco no produto, não na propriedade Novo sorgo granífero supera 6 toneladas por hectare e chega ao mercado com alta produtividade

    Um dos diferenciais da iniciativa é a mudança de lógica: a certificação deixa de olhar apenas para a fazenda e passa a avaliar o produto final, considerando todo o ciclo produtivo.

    Essa abordagem permite medir o equilíbrio entre emissões e remoção de carbono, agregando valor direto ao grão e ampliando sua competitividade global.

    Competitividade e mercado internacional

    A criação do selo de baixo carbono ocorre em um contexto de pressão crescente por sustentabilidade no comércio agrícola. A expectativa é que milho e sorgo certificados ganhem vantagem em mercados que exigem rastreabilidade ambiental e menor impacto climático.

    Além disso, a iniciativa reforça um movimento já em andamento dentro da própria Embrapa, que desenvolve programas semelhantes para outras cadeias produtivas, ampliando o portfólio de soluções sustentáveis no agronegócio brasileiro.

    Por: Redação

    Artigos Relacionados: