A Embrapa ampliou sua estratégia de agricultura sustentável ao lançar programas voltados ao milho e ao sorgo de baixo carbono, iniciativa que abre caminho para a criação de um selo de certificação ambiental para os grãos. A proposta busca medir, validar e comprovar a redução das emissões de gases de efeito estufa ao longo da produção, atendendo às exigências de mercados cada vez mais rigorosos.
Os programas Milho Baixo Carbono (MBC) e Sorgo Baixo Carbono (SgBC) foram apresentados em 2026 e têm como foco a mensuração da intensidade de carbono por tonelada produzida, diferenciando produtores mais eficientes do ponto de vista ambiental.
Selo de baixo carbono ganha força no agroEmbora a Embrapa trate inicialmente as iniciativas como “programas” e “marcas-conceito”, o projeto prevê a implementação de um selo de baixo carbono, que será disponibilizado ao mercado após a validação dos protocolos técnicos.
Esse selo funcionará como uma certificação voluntária, com auditoria independente, baseada no sistema de medição, relato e verificação (MRV), garantindo transparência e confiabilidade dos dados ambientais.
Na prática, o selo deve:
O modelo será desenvolvido em duas etapas principais:
1. Desenvolvimento e validação técnica
2. Implementação do selo
A abertura de um edital para seleção de parceiros está prevista para agosto de 2026, etapa considerada essencial para viabilizar a validação prática dos indicadores.
Foco no produto, não na propriedade
Um dos diferenciais da iniciativa é a mudança de lógica: a certificação deixa de olhar apenas para a fazenda e passa a avaliar o produto final, considerando todo o ciclo produtivo.
Essa abordagem permite medir o equilíbrio entre emissões e remoção de carbono, agregando valor direto ao grão e ampliando sua competitividade global.
Competitividade e mercado internacionalA criação do selo de baixo carbono ocorre em um contexto de pressão crescente por sustentabilidade no comércio agrícola. A expectativa é que milho e sorgo certificados ganhem vantagem em mercados que exigem rastreabilidade ambiental e menor impacto climático.
Além disso, a iniciativa reforça um movimento já em andamento dentro da própria Embrapa, que desenvolve programas semelhantes para outras cadeias produtivas, ampliando o portfólio de soluções sustentáveis no agronegócio brasileiro.





