Dólar recua com crise entre governo e Congresso e votação do Orçamento
Na véspera, o dólar terminou a sessão em baixa de 0,52%, cotado a R$ 5,33. Ibovespa subiu 1,56%, aos 161 mil pontos, novo recorde histórico
O operava em queda na manhã desta quarta-feira (3/12), em um dia no qual os investidores voltam suas atenções para o noticiário político doméstico em Brasília.
No exterior, o mercado acompanha a divulgação de dados de emprego no setor privado nos . O desempenho do mercado de trabalho é um dos componentes levados em consideração pelo Banco Central norte-americano para definir a taxa de juros.
Dólar
Às 9h04, a moeda dos EUA recuava 0,25% e era negociada a R$ 5,317.
Na véspera, .
Com o resultado, a moeda norte-americana acumula perdas de 0,1% no mês e de 13,75% no ano frente ao real.
Ibovespa
As negociações do , principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (), começam às 10 horas.
No dia anterior, o indicador fechou o pregão em alta de 1,56%, aos 161 mil pontos. Foi o novo recorde histórico de fechamento.
Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 1,27% em dezembro e de 33,93% em 2025.
Crise entre governo e Legislativo
No cenário interno, os investidores repercutem o choque entre o governo federal e o Congresso Nacional, em meio à indefinição sobre a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na terça-feira (2/12), , que seria realizada na semana que vem. O parlamentar responsabilizou o Executivo, que não enviou formalmente a indicação ao Senado.
Em nota lida aos senadores no plenário, Alcolumbre lembrou que tinha estipulado as datas de 3 de dezembro para leitura do parecer do relator da indicação e de 10 de dezembro para sabatina e votação da indicação.
“A definição desse calendário segue o padrão adotado em indicações anteriores e tinha como objetivo assegurar o cumprimento dessa atribuição constitucional do Senado ainda no exercício de 2025, evitando sua postergação para o próximo ano. No entanto, após a definição das datas pelo Legislativo, o Senado foi surpreendido com a ausência do envio da mensagem escrita referente à indicação, já publicada no Diário Oficial da União e amplamente anunciada”, afirmou o presidente do Senado.
Leia também
Alcolumbre acusa ainda o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “omissão” por não ter enviado a mensagem oficial com a indicação de Messias antes da sabatina.
“Essa omissão, de responsabilidade exclusiva do Poder Executivo, é grave e sem precedentes. É uma interferência no cronograma da sabatina, prerrogativa do Poder Legislativo. Para evitar a possível alegação de vício regimental no trâmite da indicação – diante da possibilidade de se realizar a sabatina sem o recebimento formal da mensagem –, esta Presidência e a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) determinam o cancelamento do calendário apresentado”, disse o presidente do Senado, sem anunciar uma nova data.
. Agora, a base governista terá o desafio de restabelecer a relação com o parlamentar para, assim, garantir a aprovação de Messias à Corte em 2026.
A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado estava marcada para 10 de dezembro, com a possibilidade de o aval do plenário ser feito no mesmo dia. O desejo de Alcolumbre era que Lula indicasse um aliado dele, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), à vaga aberta com a aposentadoria do ex-ministro Luís Roberto Barroso.
Lula tornou público o nome do escolhido em 20 de novembro. O cronograma definido pelo presidente do Senado foi visto pelos governistas como uma manobra do parlamentar para dar pouco tempo para Messias articular a aprovação entre os senadores.
Votação do Orçamento
Outro tema da pauta legislativa que vem sendo monitorado pelos investidores e analistas do mercado . Ela pode ocorrer nesta quarta-feira, na Comissão Mista de Orçamento.
O conjunto de diretrizes estabelece como o governo federal deverá gastar o Orçamento do ano seguinte. Entre elas, está o estabelecimento do superávit nas contas públicas, ou seja, a “folga” que o governo terá no orçamento anual.
O governo busca uma folga no Orçamento, visto que 2026 será ano eleitoral. Depois da aprovação da isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil, o Executivo precisa fechar as contas públicas e compensar a falta de arrecadação. Para isso, o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), propôs um texto que aumenta a taxação de bets e fintechs.
A projeção para o aumento das bets seria de 12% para 24% e distribuir a nova alíquota, gradualmente, de 2026 a 2028. Para as fintechs, o aumento seria de 9% para 15%. A arrecadação para o ano que vem está prevista em R$ 4,98 bilhões. Em três anos, o valor das medidas pode somar R$ 18,04 bilhões.
Emprego nos EUA
No front internacional, o mercado repercute os dados sobre abertura de vagas no setor privado nos EUA em novembro. Os números são divulgados pelo , em parceria com o .
. O resultado veio acima das estimativas do mercado, que projetavam a criação de 32 mil vagas.
Em setembro deste ano, os EUA haviam fechado 29 mil vagas no setor privado (dado revisado).
O levantamento do ADP também mostrou que os salários no setor privado aumentaram, em média, 4,5% em outubro, na comparação anual. A variação foi a mesma do mês anterior.
Analistas temem que a aceleração do mercado de trabalho nos EUA leve a um novo aperto da política monetária pelo (Fed, o Banco Central norte-americano). Por outro lado, dados fracos de emprego alimentariam as projeções mais pessimistas de que a economia dos EUA pudesse entrar em recessão nos próximos meses.
(após redução de 0,25 ponto percentual na última reunião do Fed), e a maioria dos analistas do mercado aposta em mais um corte de juros até o fim de 2025.
, a probabilidade de um novo corte de 0,25 ponto percentual nos juros dos EUA é de 89,2%. Por outro lado, 10,8% dos investidores apostam na manutenção do patamar atual. A próxima reunião do Fed ocorre na semana que vem, dias 9 e 10 de dezembro.
Análise
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a sequência de recordes do Ibovespa “reflete um movimento sustentado pela queda das taxas longas de juros no mundo e pela expectativa de novos cortes pelo Fed, que têm alimentado o apetite global por risco e direcionado fluxo estrangeiro para emergentes”.
“No front doméstico, a combinação de juros reais ainda elevados, bolsa descontada, empresas gerando caixa e a perspectiva de flexibilização da política monetária no Brasil a partir de 2026 cria um ambiente estruturalmente favorável para a renda variável. Sobre esse pano de fundo, fatores técnicos reforçam o rali: a baixa alocação histórica das pessoas físicas em ações e a fraqueza do dólar no cenário internacional, que tende a beneficiar moedas e ativos de países emergentes”, explica.
“Soma-se a isso uma crescente expectativa em torno do processo eleitoral, que tem sido interpretado pelo mercado como potencial vetor de mudança no direcionamento econômico, adicionando mais tração ao movimento recente do índice”, prossegue Shahini.
Segundo o especialista da Nomad, “esse movimento pode se estender até o primeiro semestre do ano que vem, sobretudo se o ciclo de cortes de juros no Brasil for mais profundo do que o atualmente precificado pelo mercado e se a política monetária nos EUA permanecer expansionista, mantendo favorável o ambiente global de liquidez”.
“A partir do segundo semestre de 2026, contudo, o cenário eleitoral deve ganhar protagonismo e tende a se tornar o principal ‘driver’ de preço para os ativos de risco locais, especialmente o Ibovespa. Devemos esperar mais volatilidade e um direcional de preços menos claro à medida que o cenário eleitoral se intensifique.”
Por: Metrópoles





