• Sexta-feira, 15 de maio de 2026

Desafios financeiros e cenário de instabilidade geram incertezas para o agro brasileiro

Custos elevados, juros altos, oscilações de mercado e fatores climáticos ampliam as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais

Em 2026, o agronegócio brasileiro enfrenta um dos cenários financeiros mais desafiadores das últimas duas décadas. O setor registra aumento expressivo da inadimplência e dos pedidos de recuperação judicial, impulsionado pela combinação de custos de produção elevados, juros altos e queda nos preços das commodities. O contexto amplia as incertezas e torna o ambiente mais complexo para os produtores rurais.

Para Pedro Hudson Cordeiro, doutor em Economia e professor do IBMEC, diante desse cenário de instabilidade, uma das estratégias para o agro brasileiro é ampliar e diversificar mercados consumidores.

“A China e os Estados Unidos são extremamente importantes. A União Europeia, como um todo, também ganha destaque, especialmente com o acordo entre Mercosul e União Europeia, que abre boas perspectivas para os produtores brasileiros ampliarem a presença dos produtos nacionais no mercado europeu. Mas é importante diversificar. O Brasil exporta para grande parte dos países do mundo, porém ainda concentra boa parte das vendas em poucos países ou blocos econômicos. O ideal é ampliar o volume exportado para outros mercados, reduzindo a dependência da China e, em menor escala, dos Estados Unidos”, explica.

Ana Carolina Gomes, analista de agronegócios do Sistema Faemg/Senar, ressalta que ambientes de incerteza impactam diretamente o setor e aumentam a vulnerabilidade dos produtores.

“Podemos citar a incerteza política, já que muitas leis são formuladas dentro de uma realidade urbana, diferente da dinâmica do agro, que envolve complexidades, escalas de produção, safras e sazonalidades. O agro é uma empresa a céu aberto. Além das questões políticas e regulatórias, há outros fatores que deixam o produtor vulnerável, como conflitos geopolíticos e as condições climáticas. Muitas vezes, ele fica refém de situações sobre as quais não tem poder de decisão ou capacidade de atuação”, detalha.

Vinícius Pereira Guimarães, chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo, destaca que os riscos fazem parte da atividade agropecuária, mas afirma que planejamento e sustentabilidade podem ser decisivos para manter a competitividade.

“É importante que o produtor tenha um planejamento adequado da atividade, prevendo possíveis alterações tanto nos sistemas produtivos quanto no mercado. Sobre o mercado, há pouco controle por parte do produtor, mas no sistema produtivo ele pode atuar de forma mais efetiva. É necessário produzir mais com redução de custos e maior sustentabilidade, porque, independentemente das variações econômicas, comerciais e jurídicas, isso permite manter uma produção competitiva nos mercados nacional e internacional”, afirma.

Confira a reportagem completa:

Por: ITATIAIA

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