• Sexta-feira, 15 de maio de 2026

Bolsa volta a subir após três dias seguidos de queda e aversão ao risco doméstico

Ibovespa voltou a subir alinhado ao desempenho do mercado internacional; dólar também caiu abaixo dos R$ 5,00

Após três sessões em baixa, o Ibovespa teve recuperação parcial, em avanço de 0,72%, nesta quinta-feira (14), aos 178 365,86 pontos. Foi apenas a sexta alta na série de 20 sessões que sucedeu as máximas históricas de 14 de abril, da qual o índice afastou o correspondente a 20 mil pontos.

Alinhado ao longo do dia com o desempenho de Nova York - diferentemente da quarta, quando prevaleceu aversão doméstica com o vazamento de áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além dos subsídios anunciados pelo governo a combustíveis -, o Ibovespa contou desde cedo com o suporte proporcionado por ações das principais empresas.

Exceção para Vale (VALE3), principal papel do índice, em baixa de 1,70% no encerramento - que na quarta havia sido a única blue chip que escapou a mais uma correção - e para Banco do Brasil (BBSA3), sem variação nesta quinta-feira.

Petrobras subiu 0,82% na ON e 0,96% na PN, enquanto no setor financeiro, o de maior peso no Ibovespa, os ganhos chegaram a 1,94% en Itaú PN, no encerramento. Na ponta ganhadora do índice, Usiminas (+7,97%), C&A (+5,84%) e MRV (+4,89%). No lado oposto, além de Vale, destaque para Bradespar (-1,72%), SLC Agrícola (-1,59%) e Yduqs (-1,32%).

O dólar também operou em queda de 0,45%, e fechou a R$ 4,98, com o real retomando os ganhos após um quarta-feira (13) de desvalorização. A moeda americana ainda acumula valorização de 1,89% na semana e de 0,68% em maio, depois do recuo de 4,36% em abril. No ano, as perdas são de 9,16%.

Na quarta, "a tendência da Bolsa já era de baixa, mesmo antes dos acontecimentos que explodiram em Brasília", diz Alison Correia, analista e cofundador da Dom Investimentos, referindo-se a um "Flávio Day 2.0", ainda que bem mais discreto que o Flávio Day original, de dezembro, quando foi anunciada a pré-candidatura do senador à Presidência - considerada então pouco competitiva, mas que, meses depois, tem se mostrado viável nas pesquisas de intenção de voto.

No quadro mais amplo, nesta quinta, "o mercado global viveu uma sessão marcada por equilíbrio entre otimismo geopolítico, realização de lucros e a continuidade do forte apetite por tecnologia e semicondutores", diz Marcos Praça, diretor de análises da ZERO Markets Brasil. "O foco permanece dividido entre a reunião Trump-Xi e o conflito no Oriente Médio. Apesar das tensões envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz continuarem no radar, os investidores enxergam sinais de redução do risco imediato de interrupção no fluxo global de petróleo", acrescenta

Em outro desdobramento importante, os dados econômicos americanos também ganharam atenção nesta quinta-feira, destaca Praça. "As vendas no varejo vieram fortes, reforçando a percepção de uma economia resiliente. O que também sustenta visão mais hawkish dura para o Federal Reserve, especialmente após a confirmação de Kevin Warsh para a presidência da instituição", afirma o analista.

Por: ITATIAIA

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