• Terça-feira, 17 de março de 2026

Deputada do PT pede inquérito na PF após ameaças de morte

Mensagens com conteúdo racista e misógino chegaram ao e-mail institucional de Dartora na madrugada de domingo (15.mar).

A deputada federal Carol Dartora (PT-PR) pediu a abertura de um inquérito na Polícia Federal nesta 2ª feira (16.mar.2026) depois de receber ameaças de morte enviadas a seu e-mail institucional da Câmara dos Deputados. Carol Dartora é a 1ª mulher negra eleita pelo Paraná à Casa Baixa. Leia a íntegra do documento enviado à PF (PDF-333kB).

A deputada recebeu as mensagens na madrugada de domingo (15.mar.2026). Além da solicitação à Polícia Federal, encaminhou o caso ao Ministério da Justiça. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também foram informados. Leia a íntegra do documento enviado à PGR (PDF- 252kB).

As mensagens partiram de um usuário identificado como Lucas Bovolini Martins, por meio do provedor suíço ProtonMail, serviço que dificulta o rastreamento de mensagens por usar criptografia. Leia a íntegra (PDF-297kB).

Em ofício enviado a Hugo Motta, a deputada descreveu o teor das ameaças. “O conteúdo da mensagem é de violência extrema. Logo no assunto do e-mail, a expressão ‘você vai pagar, sua negra vagabunda’ evidencia que sou alvo específico por ser mulher negra em posição de poder político institucional”, afirmou no documento.

O presidente da Câmara determinou apuração pela Departamento de Polícia Legislativa (Depol), que já iniciou investigação. A Polícia Federal informou ter recebido a denúncia e também deu início aos procedimentos.

Carol Dartora solicitou reforço na segurança com agentes da Polícia Legislativa da Câmara e destacou a gravidade das ameaças recebidas. Leia a íntegra (PDF- 254kB).

A deputada manifestou preocupação com a violência direcionada a mulheres negras em posições de poder. “Mulheres negras conquistaram, através de muita luta, o direito de ocupar cadeiras nesta Casa. Não podemos permitir que o terror racial e de gênero nos expulse desses espaços. Não podemos permitir que a violência cibernética e o terrorismo político silenciem vozes fundamentais para a democracia brasileira”, declarou.

Dartora também afirmou nos documentos enviados que, em fevereiro de 2025, um usuário também identificado como Lucas Bovolini Martins enviou ameaças de morte ao gabinete da deputada estadual Livia Duarte (Psol-PA). A parlamentar paraense também é negra.

PT REPUDIA O CASO

O Partido dos Trabalhadores (PT) publicou nesta 2ª feira (16.mar.2026), em seu perfil oficial no Instagram, uma nota em apoio à deputada. O partido afirmou que os ataques não são episódios isolados, mas integram uma estratégia deliberada de intimidação contra mulheres negras em espaços de poder.

Segundo o texto, as agressões “fazem parte de uma estratégia de intimidação contra mulheres negras que ocupam espaços de poder” e que se posicionam na defesa de minorias. O partido classifica a situação como uma “tentativa de silenciar vozes comprometidas com a transformação social e com o aprofundamento da democracia brasileira”.

O PT também defende uma apuração “rigorosa dos fatos, a responsabilização dos autores e o fortalecimento de mecanismos institucionais de proteção a parlamentares e lideranças ameaçadas”.

Leia a nota completa:

“Manifestamos nossa solidariedade à deputada federal Carol Dartora (PT-PR) diante das graves ameaças de violência política, racismo e misoginia que vêm sendo dirigidas contra sua atuação parlamentar através de e-mails.”

“Tais ataques não são fatos isolados. Eles fazem parte de uma estratégia de intimidação contra mulheres negras que ocupam espaços de poder e que se posicionam na defesa dos direitos humanos, da população negra, das mulheres, da população LGBTQIA+ e dos setores historicamente marginalizados. Trata-se de uma tentativa de silenciar vozes comprometidas com a transformação social e com o aprofundamento da democracia brasileira.”

“A violência política de gênero e raça é uma expressão do autoritarismo e do ódio que buscam interditar a participação popular e enfraquecer os mandatos legitimamente eleitos. Não aceitaremos que o racismo, a misoginia e as ameaças sejam utilizados como instrumentos de disputa política.”

“Defendemos a apuração rigorosa dos fatos, a responsabilização dos autores e o fortalecimento de mecanismos institucionais de proteção às parlamentares e lideranças ameaçadas. A defesa da vida, da dignidade e do livre exercício do mandato é condição fundamental para a democracia.”

“Reafirmamos nosso compromisso com a luta antirracista, feminista e democrática. Toda solidariedade, força e resistência. Seguiremos em luta.”

Por: Poder360

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