Visto como praga em Santa Catarina e em outras partes do mundo, o javali vem se tornando um mercado global bilionário. Em 2024, a carne do animal movimentou US$ 1,32 bilhão, com projeção de crescimento médio anual de 5,8% até 2033, quando o mercado deve alcançar US$ 2,21 bilhões, segundo relatório da Growth Market Reports. Em valores aproximados, o volume atual equivale a cerca de R$ 6,6 bilhões.
De acordo com o relatório, o avanço do setor está ligado ao interesse crescente por proteínas alternativas, carnes de perfil mais magro e natural e à ampliação do consumo de produtos classificados como premium.
A Europa concentra a maior fatia do mercado global, respondendo por aproximadamente 48% da receita em 2024, o equivalente a cerca de US$ 634 milhões (R$ 3,1 bilhões). A liderança está associada a cadeias de distribuição já consolidadas. Alemanha, Itália, França e Espanha aparecem como principais centros de consumo.
A região da Ásia-Pacífico é a que registra o crescimento mais rápido do mercado. Em 2024, o consumo regional alcançou US$ 270 milhões (R$ 1,3 bilhão), com taxa projetada de expansão de 7,2% ao ano até 2033. O avanço é impulsionado principalmente por China, Japão e Coreia do Sul.
Já a América do Norte respondeu por cerca de US$ 220 milhões (R$ 1 bilhão) do mercado global em 2024. O crescimento é sustentado pela demanda por proteínas alternativas, pela presença do produto em restaurantes especializados e pelo avanço do comércio eletrônico.
O javali-europeu está na lista das 100 piores espécies invasoras do mundo, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Nativa da Europa, Ásia e norte da África, a espécie é agressiva, tem facilidade de adaptação, se reproduz rápido e não tem predadores naturais, o que resulta em uma série de impactos ambientais, principalmente para pequenos agricultores.
Introduzido no Brasil na década de 1990 para produção de carne, o animal se espalhou sem controle, causando prejuízos à agricultura, pecuária e ao meio ambiente. O javali se alimenta de espécies nativas, destrói áreas de vegetação, ataca animais e ameaça nascentes. Também representa risco sanitário por ser potencial vetor de doenças como peste suína africana, peste suína clássica e febre aftosa.
No Brasil, o Ibama autoriza o abate de javalis desde 2013 para controle da espécie. Os caçadores precisam ter cadastro no órgão ambiental e, quando há uso de arma de fogo, registro junto ao Exército.
Em 2023, Santa Catarina aprovou a Lei nº 18.817, que autoriza a caça do javali para controle populacional e o manejo sustentável. A regulamentação estabelece regras:
Apesar da autorização para o controle, a legislação catarinense proíbe a comercialização, doação ou uso industrial da carne e de subprodutos provenientes desses animais abatidos no manejo.
Em 2025, a lei foi questionada no Supremo Tribunal Federal (STF), sob o argumento de que o tema é de competência da União. O processo é relatado pelo ministro Kássio Nunes Marques e ainda não foi julgado. A norma segue em vigor enquanto o STF não decide o mérito da ação.





