A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado enviou ao BC (Banco Central), na 4ª feira (25.fev.2026), o pedido de quebra de sigilo da empresa Maridt Participações. A empresa tem como sócios José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, ambos irmãos do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), José Antonio Dias Toffoli. Leia a íntegra (PDF-185kB).
A comissão aprovou no mesmo dia o requerimento apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O texto autoriza a quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa, no âmbito do caso Banco Master, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras, com uso da estrutura do mercado de capitais para desviar ativos e ocultar prejuízos. Leia a íntegra (PDF-492kB).
O documento também foi enviado ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e estabelece que o Conselho deve fornecer informações para elaboração de RIFs (Relatórios de Inteligência Financeira) relacionados à empresa. Leia a íntegra (PDF-451kB).
O requerimento determina que sejam fornecidas todas as contas de depósitos, contas de poupança, contas de investimento e outros bens, direitos e valores mantidos em instituições financeiras, além de dossiê fiscal da Maridt com informações como imposto de renda de pessoas físicas e jurídicas.
Também é solicitado o registro e a duração das ligações telefônicas originadas e recebidas pela empresa.
O senador justifica que o objetivo é “desmantelar a complexa rede de influência e lavagem de capitais que orbita em torno do Banco Master e de suas conexões com agentes públicos de cúpula”.
De acordo com o texto, “a análise minuciosa das atividades” mostraria uma “anomalia econômica e social inequívoca” que sugere que a “pessoa jurídica não passa de uma estrutura de fachada para ocultar o real beneficiário de vultosas transações financeiras”.
O ministro Dias Toffoli relatou o caso no Supremo até 12 de fevereiro de 2026, em 3 meses repletos de embates com a PF. O ministro André Mendonça o sucedeu, depois da reunião interna do colegiado que decidiu redistribuir o caso.
Até então, a relatoria de Toffoli vinha sendo criticada por causa do resort Tayayá, hotel de luxo no interior do Paraná, que teve como acionistas os irmãos e um primo do ministro Dias Toffoli. O empreendimento passou a ser controlado no final de 2025 por Paulo Humberto Costa.
Reportagens dos jornalistas Paulo Ricardo Martins e Lucas Marchesini mostraram que o ministro continuou visitando os irmãos no local, mesmo depois da venda do controle para Costa. A maioria das viagens ao resort foi durante o recesso do Judiciário, nos meses de janeiro, julho ou dezembro. É que no resort há também um condomínio de casas e Toffoli é dono de uma unidade.
O Tayayá fica no norte do Paraná e a cerca de 130 km de Marília, que é a cidade natal de Toffoli.
Há ainda outra menção no noticiário a respeito do caso Master que faz ligação com a família Toffoli e o resort. Segundo os jornalistas Pedro Augusto Figueiredo, Jenne Andrade e Luiz Vassallo, o pastor e empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, é dono de um dos fundos de investimento que compraram parte da participação dos irmãos do ministro no Tayayá.
De acordo com os jornalistas, Zettel adquiriu a cota por R$ 6,6 milhões e depois usou o fundo para aportar mais R$ 20 milhões no empreendimento. Preso preventivamente em 14 de janeiro, o cunhado de Vorcaro se tornou um dos nomes centrais da 2ª fase da operação Compliance Zero da Polícia Federal, que mirou o Master.
Casado com Natália Vorcaro, irmã de Daniel, Zettel transita entre o mercado financeiro de alto padrão e a liderança religiosa na Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte.
Fabiano Zettel foi detido por ordem de Dias Toffoli, numa operação em que a Polícia Federal quase deixou o empresário escapar, como relatou o Poder360. Esse episódio em que a PF demonstrou lentidão para cumprir ordens de busca e apreensão só acabou sendo bem-sucedido porque Toffoli tomou as providência para garantir a prisão de Zettel –algo que tem recebido pouco ou nenhum destaque no noticiário a respeito do caso do Banco Master.
Em nota publicada em 22 de janeiro, José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro, afirmou que a Maridt Participações, empresa dos irmãos do magistrado, não faz mais parte do resort Tayayá.
A sede da empresa de José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli chegou a ter ⅓ de participação no resort de luxo em Ribeirão Claro, no interior do Paraná.
Em nota, José Eugênio disse que a participação da Maridt no empreendimento foi vendida em duas operações distintas: a 1ª para o Grupo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a 2ª para a PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025. Segundo o irmão de Toffoli, todas as informações da venda foram declaradas à Receita Federal.
Na 1ª etapa da operação, realizada em 2021, os irmãos de Toffoli se desfizeram, por intermédio da Maridt, de parte das cotas que tinham no resort.
O fundo Arllen, que comprou a participação por mais de R$ 3 milhões, é controlado pela Reag, administradora de investimentos ligada ao Banco Master, que foi alvo da operação Carbono Oculto em agosto de 2025. A distribuidora é suspeita de ter ligação com esquemas de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis que envolviam a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) e outras empresas financeiras.
A companhia também é citada nas investigações que envolvem o Banco Master. Segundo relatório do BC repassado ao TCU (Tribunal de Contas da União), fundos administrados pela Reag estruturaram as operações fraudulentas com a instituição financeira em 2023 e 2024. A operação de venda feita pelos irmãos de Toffoli, entretanto, foi em 2021, quando não havia suspeita sobre como operava a Reag.
Leia a íntegra da nota divulgada por José Eugênio Dias Toffoli:
“A Maridt, empresa com sede em Marília/SP, esclarece que não integra atualmente o Grupo Tayayá, sediado em Ribeirão Claro, Estado do Paraná. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de parte da participação ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.
“Todos os atos e informações financeiras da Maridt estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil, conforme exigido pela legislação.
Marília, 22 de janeiro de 2026.
JOSÉ EUGÊNIO DIAS TOFFOLI
Administrador”
A operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro de 2025 pela Polícia Federal, investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras no mercado de capitais, com o Banco Master à frente. A suspeita da PF e do Banco Central é que houve desvio de ativos e ocultação de prejuízo.
O caso tramita no Supremo porque foi argumentado que há, pelo menos, uma autoridade citada, com prerrogativa de foro. Foi encontrado pela Polícia Federal um envelope com o nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) em um endereço ligado a Daniel Vorcaro.
O material considerado mais sensível desse caso ainda não foi revelado por completo. O Poder360 antecipou que, até o momento, a PF nunca compartilhou com o Supremo Tribunal Federal os conteúdos de dezenas de aparelhos eletrônicos apreendidos (52 desses equipamentos são telefones celulares). O STF é responsável por relatar o caso, mas não sabe quase nada a respeito do que está sendo apurado.
Sabe-se que há citações a outras autoridades com foro. Esse é um dos pontos que dificulta o envio de toda a apuração à 1ª Instância, como é desejo de parte dos citados.





