• Sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Empresário se mantém em silêncio em depoimento à CPMI do INSS

Amparado por um habeas corpus, Camisotti usou direito constitucional

Convocado a depor na condição de testemunha do esquema criminoso que desviou bilhões de reais de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o empresário Paulo Camisotti permaneceu em silêncio ao depor à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, nesta quinta-feira (26). Apontado como dirigente de mais de 20 empresas investigadas no âmbito da Operação Sem Desconto, o empresário de 33 anos é filho e sócio do também empresário Maurício Camisotti, preso desde setembro de 2025, acusado de envolvimento na fraude que lesou milhões de segurados do INSS em todo o país. Amparado por um habeas corpus e orientado por seu advogado, Paulo Camisotti usou o direito constitucional de não responder às perguntas que o pudessem incriminar. O primeiro a questioná-lo foi o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), a quem o empresário limitou-se a confirmar apenas ser presidente da Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Saúde e Benefícios (ABCS) e filho de Maurício Camisotti, deixando de responder inclusive se já foi condenado em algum processo judicial. Ao interrogar Paulo Camisotti, o relator da comissão apontou que as empresas da família Camisotti movimentaram mais de R$ 800 milhões, sendo "mais de R$ 350 milhões diretamente para eles", tendo o pai de Paulo, Maurício Camisotti, o grande beneficiário do esquema. “Esta família é cinco vezes mais forte do que o Careca do INSS”, afirmou Alfredo Gaspar, referindo-se a Antônio Carlos Camilo Antunes, lobista apontado como um dos principais operadores da fraude contra o INSS. “Botaram o nome do Careca do INSS [em evidência] e nós ficamos o repetindo, até porque, de fato, ele é um grande operador do esquema, mas lembrem deste nome: Camisoti. Ele [Paulo] e o pai [Maurício] montaram uma rede estruturada de serviços fictícios que arrancava dinheiro das associações que eles dominavam. Dinheiro que saía dos bolsos de aposentados e pensionistas”, denunciou o relator, assegurando que só a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) recebeu quase R$ 500 milhões em descontos associativos, por serviços não prestados. “A Ambec retirou R$ 500 milhões de aposentados e pensionistas. E seu primeiro presidente foi Ademir Fratic Bacic, primo do senhor Paulo Camisotti, sobrinho de Maurício Camisoti. José Hermicesar Brilhante, também presidente [da Ambec], trabalhava nas empresas presididas por Paulo Camisoti. Luciene de Camargo Bernardo, era prima do pai dele. Antonio Fratic Bacic, tio de Paulo. Então, a diretoria da Ambec era toda constituída por [pessoas com] laços familiares, de sangue, ou por funcionários das empresas [da família Camisotti]”, completou Gaspar, lembrando que Antunes, o Careca do INSS, era procurador da Ambec. “O senhor, seu pai e o resto da gangue tiraram milhões de reais do povo brasileiro”, acusou Gaspar, dirigindo-se diretamente a Paulo Camisotti. A defesa do empresário não se manifestou sobre o conteúdo das acusações durante a audiência pública. Relacionadas
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O objetivo da comissão é investigar fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), envolvendo descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas. A CMPI é formada por senadores e deputados, num total de 32 titulares e igual número de suplentes.

 

Mesa:

relator da CPMI - INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL);

presidente da CPMI - INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG);

deputado Marcel van Hattem (Novo-RS);

deputada Bia Kicis (PL-DF).

 

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
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Por: Redação

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