• Quinta-feira, 3 de abril de 2025

Cordão da Mentira faz desfile "para adiar o fim do mundo"

Tema faz referência a obra do pensador indígena Ailton Krenak

Manifestantes participaram, na noite dessa terça-feira (1º), de mais uma edição do Cordão da Mentira, protesto artístico e político realizado anualmente na capital paulista para questionar as violações de direitos da ditadura civil-militar e da atualidade. Este ano, a organização decidiu fazer com que a marcha assumisse a forma de um "desfile para adiar o fim do mundo", referência à obra Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak, hoje um dos mais destacados pensadores indígenas. Os manifestantes partiram do Pateo do Collegio, complexo histórico e cultural que abriga instituições como o Museu das Favelas, e percorreram um caminho até o Ministério Público de São Paulo. Como nas edições anteriores, entre os participantes estavam militantes de diversos grupos e movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Com intervalos preenchidos por palavras de ordem de manifestantes, que contestavam a atuação de políticos como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e o governador Tarcísio de Freitas, lideranças abordaram temas como a letalidade e a violência policiais. Muitas também lembraram como a falsificação da história do período da ditadura introduzida pelo golpe de 1964 ainda gera consequências.

Genoíno

Presente ao ato, o ex-ministro José Genoino lembrou o motivo por que os militares sempre afirmaram que tomaram o poder do então presidente João Goulart no dia 31 de março. A disputa ideológica sobre a data existe porque no dia 1ª de abril se comemora o Dia da Mentira e isso reforçaria a hipótese da esquerda de que, ao longo de 21 anos, o que fizeram foi cercear direitos humanos e só conseguiram atingir esse objetivo sem o apoio da população, de modo autoritário e ilegítimo.  "Eles mentiram, disseram que era 31 de março. Em 31 de março, eles saíram de Juiz de Fora (MG) e no dia 1º já estavam matando gente na Guanabara. Por isso que esse cordão é tão importante, porque não concilia, não aceita a segunda anistia aos militares golpistas e assassinos", declarou Genoino, um dos militantes da Guerrilha do Araguaia. "Onde estaríamos se o golpe [orquestrado como forma de anular a vitória do presidente Lula em 2022] tivesse dado certo?", indagou, logo depois, ao microfone, Casé Angatu, pesquisador tupinambá que constantemente denuncia a situação de vulnerabilidade dos indígenas do sul da Bahia. "A ditadura começou em 1500, isso aqui é terra invadida", declarou. O Brasil passou por duas ditaduras, uma nas décadas de 1930 e 1945, no governo de Getúlio Vargas, com o Estado Novo, e a instalada com o golpe de 1964. Em 1984, ganhou amplitude o processo de redemocratização do país, com o crescimento do movimento Diretas Já, que pedia eleições diretas para presidente da República.

Veja galeria de fotos


 

Relacionadas
Brasília (DF) - 10/10/2023- 50 anos do desaparecimento e morte de Honestino Guimarães.
Foto: Acervo Familia/Honestino Guimarães
Jovens ligados a partidos políticos foram maiores vítimas da ditadura
Rio de Janeiro (RJ), 31/03/2025 - Centro MariAntonia da USP apresenta Exposição Ausências Brasil MariaAntonia, de desaparecidos políticos da ditadura militar. A primeira fotografia em preto e branco foi tirada no número 1.141 da Avenida Ministro Marcos Freire, em Olinda, Pernambuco. As irmãs Ana Carolina e Ana Lucia Valença eram visitadas em sua casa. Foto: Jacarandá Comunicação/Divulgação
SP: exposição mostra impacto da ditadura nas famílias brasileiras
Sede da Procuradoria-Geral da República
MPF pede mudança de nomes de ruas em homenagem a agentes da ditadura
Por: Redação

Artigos Relacionados: