O BC (Banco Central) sinalizou que fará um corte da taxa básica, a Selic, em março, no próximo encontro do Copom (Comitê de Política Monetária). Não indicou, porém, qual será a magnitude da redução e a duração do ciclo de flexibilização. A autoridade monetária divulgou a ata da última reunião nesta 3ª feira (3.fev.2026). Eis a íntegra do documento (PDF – 369 kB).
“O comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de distensão monetária serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”, disse o Copom.

A autoridade monetária sinalizou que o aperto nas taxas de juros tem demonstrado efeitos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica –ainda que com “sinais mistos”.
“Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, disse o BC.
O Copom decidiu na 4ª feira (28.jan) manter a taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006. O comunicado publicado no mesmo dia sinalizou o início de corte de juros na próxima reunião, marcada para 17 e 18 de março.
Para o BC, houve uma elevação “firme” da Selic, com 7 altas consecutivas, de 10,5% a 15% ao ano de setembro de 2024 a junho de 2025. O juro base ficou estacionado neste patamar. No entender do Copom, foi um período “bastante prolongado”.
O texto afirmou que a estratégia se mostrou adequada para assegurar a convergência da inflação do Brasil à meta, que é de 3%. A tolerância é de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo.
O Banco Central disse que a discussão sobre “calibração da política monetária” apontou que o cenário atual de um ambiente de melhora do cenário inflacionário corrente e de expectativas futuras de inflação proporciona “maiores evidências sobre a transmissão da política monetária”.
E completou: “De maneira unânime, o Comitê reafirma a necessidade da manutenção do patamar de juros em níveis restritivos, até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas à meta, dada a resiliência de fatores que pressionam preços tanto correntes quanto esperados, em especial do dinamismo ainda observado no mercado de trabalho”.
O Banco Central disse que mantém o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária.
O Banco Central disse que o cenário de referência –com base em projeções dos agentes financeiros– indica que a inflação, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), cairá para 3,4% em 2026. Terminou 2025 aos 4,26%, dentro do intervalo da meta.
O Banco Central disse que o balanço de riscos indica que os riscos estão mais elevados do que o usual tanto para a alta quanto para a queda da inflação em prazos mais longos.
O que pode pressionar a inflação para cima, segundo o BC:
O que pode pressionar a inflação para baixo, segundo o BC:
O Banco Central disse que a recente queda da inflação abrange tanto o IPCA quanto as medidas subjacentes dos preços. O real mais apreciado em relação ao dólar e o comportamento mais benigno dos preços das commodities contribuíram para a redução da inflação de bens industrializados e alimentos.
O Banco Central declarou que a inflação ainda está pressionada pela demanda e que requer uma política monetária contracionista por um período “bastante prolongado”. Afirmou, porém, é que o trabalho já feito até agora tem contribuído de forma determinante para a desinflação já observada.
“A inflação de serviços também apresentou algum arrefecimento, ainda que mais resiliente, respondendo a um mercado de trabalho que segue dinâmico e a uma atividade que tem apresentado moderação gradual”, declarou o BC.





