Conheça Shady Apolo Bars e o DNA que virou padrão no Quarto de Milha
Preto, importado e histórico: campeão nas pistas e eterno na reprodução, Shady Apolo Bars entrou para o Hall da Fama da ABQM e deixou uma linhagem que segue dominando modalidades como Apartação, Três Tambores, Seis Balizas e Vaquejada.
Preto, importado e histórico: campeão nas pistas e eterno na reprodução, Shady Apolo Bars entrou para o Hall da Fama da ABQM e deixou uma linhagem que segue dominando modalidades como Apartação, Três Tambores, Seis Balizas e Vaquejada. Poucos nomes conseguem resumir, com tanta força, aquilo que o Quarto de Milha tem de mais valioso: funcionalidade, desempenho e capacidade de se adaptar a diferentes modalidades. E quando o assunto é versatilidade comprovada — não apenas no discurso, mas em resultados e legado — Shady Apolo Bars é um daqueles garanhões que se tornam referência automática. Revolucionário para diversas provas e dono de um sangue amplamente aceito no Brasil, ele se consolidou como um reprodutor que entregou consistência, formou animais competitivos e sustentou gerações com características desejadas tanto em trabalho quanto em velocidade. Em outras palavras: Shady Apolo Bars simboliza o que define o Quarto de Milha.
E talvez essa seja a maior lição por trás da sua história: valorizar sangue antigo não é nostalgia — é critério técnico. Preservar uma base sólida e fazer cruzamentos inteligentes é entender que a evolução da raça nasce justamente do equilíbrio entre origem, função e escolhas bem-feitas. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Nascido em 14 de abril de 1970, nos Estados Unidos, Shady Apolo Bars era filho de Ranch Bars e Miss Shady Bars, égua descendente de Johnny Bars. De pelagem preta, ele desembarcou no Brasil em julho de 1974, importado por um dos nomes mais tradicionais da formação do Quarto de Milha nacional: Renato Eugênio de Rezende Barbosa, conhecido no meio quartista como “Tô”, titular da Fazenda Berrante, localizada em Assis (SP). A importância do criatório no processo de consolidação da raça no país é tamanha que a Fazenda Berrante se tornou reconhecida como o segundo mais antigo introdutor do Quarto de Milha no Brasil. A relevância de Renato “Tô” para a história quartista também foi oficialmente registrada: em 2019, ele recebeu homenagem no Hall da Fama da ABQM. Já Shady Apolo Bars, por sua vez, passou a integrar em 2014 o seleto grupo do 4º Hall da Fama da ABQM, consolidando seu lugar definitivo entre os animais que ajudaram a construir o Quarto de Milha brasileiro. Ainda em vida, Shady Apolo Bars não ficou restrito ao papel de reprodutor: ele teve uma carreira marcante nas pistas, principalmente no trabalho.
Foto: @quartistasO garanhão consagrou-se Campeão Nacional de Apartação com dois competidores de forte relevância no cenário da raça: Jayme de Jesus Rodrigues e Eloy Medeiros Loureiro — ambos também homenageados posteriormente no Hall da Fama da ABQM, respectivamente em 2014 e 2015.
Além do desempenho funcional, o cavalo também se destacou pela estrutura e harmonia: devido à sua qualidade morfológica, Shady Apolo Bars foi oito vezes Grande Campeão de Conformação, resultado que poucos animais conseguem sustentar com tamanha consistência. Mas, apesar do brilho nas competições, o que realmente eternizou seu nome foi o que veio depois: a reprodução. A trajetória do garanhão no Brasil foi intensa, porém breve. Shady Apolo Bars desapareceu precocemente em março de 1980, encerrando sua vida com apenas 10 anos de idade. Mesmo com esse tempo limitado, seu impacto foi profundo, justamente por ter deixado uma base genética extremamente sólida, que continuou evoluindo dentro da raça.
Sua história se confunde com a própria história do Quarto de Milha no Brasil, porque ele foi um daqueles garanhões raros que não apenas venceram, mas ajudaram a formar um padrão: o cavalo competitivo, funcional, versátil e consistente — exatamente aquilo que o criador busca ao pensar em longo prazo. Na reprodução, Shady Apolo Bars se tornou exemplo de eficiência genética. Mesmo tendo sido interrompido cedo, o garanhão deixou um rastro claro: seus descendentes continuaram vencendo, reproduzindo e liderando modalidades diferentes, algo que só acontece quando a base é realmente forte. Mesmo com apenas 13 filhos em campanha nas pistas, esse grupo somou 304,5 pontos, com resultados distribuídos em uma lista que reforça sua versatilidade:
Três Tambores
Seis Balizas
Cinco Tambores
Maneabilidade e Velocidade
Rédeas
Apartação
Laço em Dupla
Laço Individual
Julgamento de Conformação
Ou seja: não foi um garanhão “de uma prova só”. Ele foi, de fato, um cavalo completo, capaz de deixar herdeiros competitivos em diferentes estilos de pista, com exigências físicas e funcionais distintas.
Entre esses produtos, quatro nomes se tornaram grandes responsáveis por espalhar — e consolidar — a linhagem Shady Apolo Bars em diferentes modalidades:
Shady Leo (Hall da Fama ABQM 2012)
Ronald da ER (Hall da Fama ABQM 2016)
Black Shady
Dixie Bar Gold
Foto:@quartistas
Esse detalhe é determinante: quando um garanhão gera filhos que também viram reprodutores altamente comprovados, a história deixa de ser apenas de um indivíduo vencedor e passa a ser de uma linhagem que sustenta gerações.
Outro ponto que chama atenção na história de Shady Apolo Bars é o volume de produção no país. Apesar de ter atuado no Brasil entre 1974 e 1980, o garanhão produziu apenas 118 produtos nesse período. Ou seja: ele não foi um cavalo que teve números gigantescos por tempo de uso — o que ele teve foi impacto genético. O resultado disso aparece no que veio depois: seu sangue corre nas veias de inúmeros filhos, netos e bisnetos campeões, além de animais com Registros de Mérito, muitos deles liderando estatísticas em modalidades decisivas, especialmente:
Vaquejada
Três Tambores
Seis Balizas
Provas de Velocidade
Modalidades de Trabalho
Esse efeito é justamente o que separa um garanhão importante de um garanhão histórico: o legado permanece competitivo, mesmo décadas depois. Um dos criadores que mais reforça a relevância de Shady Apolo Bars para o Quarto de Milha nacional é o pernambucano Sérgio Novaes, profundo conhecedor da história do garanhão. O criador, inclusive, realizou durante duas temporadas — 2012 e 2013 — leilões em tributo ao reprodutor, dentro de um dos palcos mais tradicionais do trabalho: o Congresso e Derby de Vaquejada. Para Novaes, o grande diferencial do garanhão sempre esteve na capacidade de transmitir, de forma consistente, o que ele tinha de melhor: “ A maior prova de que sua progênie tem a capacidade de herdar suas melhores características, tanto na morfologia quanto na habilidade, são os grandes reprodutores e matrizes que ele produziu em várias linhagens do Trabalho (…)” Entre os descendentes destacados por ele como inesquecíveis, aparecem nomes que ajudaram a sustentar o peso da linhagem ao longo do tempo, como:
Shady Leo
Go Man Bars II
Gold Sonora
Black Shady
Oil Apolo
Silver Apolo Bar
Ronald da ER
Mas o ponto mais interessante é que, para ele, a história não ficou no passado: a saga de campeões continuou firme na terceira e quarta gerações. Novaes também citou uma lista de reprodutores em atividade, considerados líderes e fortes influenciadores da reprodução moderna, mantendo a linhagem em alta performance:
El Shady Zorrero
Shady King Times EK
Líder da SM
Don Diego Bars
Shady Steel SLN
Eternaly Handdome
Myke Ronald Bars
EF Shady Brown
entre outros
Além deles, ele destacou dois garanhões jovens que despontam com força e que, segundo o criador, tiveram filhos estreando com muito sucesso nas pistas:
Eternaly Rojo JR
Ronald Gates HCB
Ou seja: Shady Apolo Bars não é apenas memória. Ele é genética ativa, competitiva e presente no mercado e na pista. O impacto do garanhão também pode ser observado no comportamento de suas gerações ao longo do tempo: os descendentes continuam ocupando posições de liderança nas Estatísticas de Reprodutores e Produtores, com destaque claro para as provas de velocidade e trabalho. Hoje, sua linhagem aparece com força especialmente em:
Três Tambores
Seis Balizas
Vaquejada
Esse é um tipo de permanência rara, porque mostra que o sangue não ficou “preso” em uma modalidade específica, e sim se consolidou como um alicerce funcional, capaz de gerar animais consistentes dentro de diferentes exigências atléticas. No fim, o que faz Shady Apolo Bars ser homenageado até hoje não é apenas o título, a pelagem ou o ano em que chegou ao Brasil. O que sustenta sua grandeza é uma combinação de fatores que todo criador respeita:
origem forte e coerente
morfologia comprovada
habilidade real no trabalho
capacidade de produzir campeões e reprodutores
versatilidade em modalidades diferentes
consistência que atravessou gerações
Ele é, de fato, um garanhão inesquecível — e não por romantismo, mas por evidência técnica. Em um cenário onde o mercado evolui, novas linhagens surgem e tendências mudam, a história de Shady Apolo Bars reforça uma regra que segue atual: a base bem escolhida é o que sustenta o futuro.
Por: Redação
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