Conheça o “Gado do Rei”, a raça africana Nkone que resiste a seca e produz carne barata
Raça africana Nkone da tribo indígena Zimbábue une rusticidade extrema, alta fertilidade e valor genético estratégico para a pecuária sustentável em áreas marginais.
Raça africana Nkone da tribo indígena Zimbábue une rusticidade extrema, alta fertilidade e valor genético estratégico para a pecuária sustentável em áreas marginais. A raça bovina Nkone é um dos exemplos mais emblemáticos de como a seleção natural, aliada à cultura humana, pode moldar um animal perfeitamente adaptado a ambientes hostis. Originária do atual Zimbábue, a Nkone é uma raça indígena africana do grupo Sanga, reconhecida mundialmente por sua resiliência, baixo custo de produção e eficiência reprodutiva, características que a tornam um recurso genético valioso para a produção de carne e formação de matrizes em regiões de clima árido e pastagens pobres. Mais do que uma raça produtiva, o Nkone é também um patrimônio histórico e cultural, com raízes que remontam a milhares de anos e conexões diretas com antigas civilizações africanas, migrações humanas e sistemas tradicionais de produção pecuária.
A raça Nkone faz parte do complexo Sanga, um tipo de gado africano resultante da mistura de três grandes troncos genéticos bovinos ao longo da história: window._taboola = window._taboola || [];
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Bos taurus europeu, que chegou ao Norte da África em duas ondas migratórias, por volta de 6000 a.C. e 2500 a.C.
Bos indicus asiático, oriundo do Vale do Indo, introduzido em duas fases, aproximadamente em 2000 a.C. e 700 d.C., esta última associada a migrações pela costa leste africana.
Bos taurus africano, domesticado no Norte da África e região do Mediterrâneo entre 7.000 e 10.000 anos atrás.
Registros arqueológicos, pinturas rupestres e desenhos do Antigo Egito, datados de até 8000 a.C., mostram bovinos multicoloridos, com chifres em forma de lira, fenotipicamente muito semelhantes ao Nkone moderno. A leve corcova no pescoço, típica do Sanga, provavelmente surgiu mais tarde, com a pequena introgressão genética de zebus da região da Somália. Foto: Nkone Cattle Breeders Society of ZimbabweA expansão do gado Sanga pelo continente africano ocorreu junto às migrações humanas. Os ancestrais do Nkone chegaram ao sul da África inicialmente com o povo Kohekohe, há cerca de 2.000 anos, e depois com as grandes migrações Bantu, entre 300 e 700 d.C. Esses deslocamentos seguiram quatro grandes rotas:
Para o sudoeste, em direção à Ovambolândia e Botsuana
Para o sul, alcançando o atual Zimbábue e o Transvaal
Para o sudeste, chegando a Moçambique, Zululândia e Suazilândia
Ao longo da costa leste africana, descendo em direção ao sul
No Zimbábue, esses bovinos deram origem a diferentes ecótipos regionais, como o Sanga Mashona no Highveld e o Sanga Tuli no sudoeste. O Nkone consolidou-se como um ecótipo próprio, altamente adaptado às condições locais. No século XIX, o rei Mzilikazi, fundador do Reino Ndebele, manteve um rebanho real exclusivo, conhecido como o “Gado do Rei”. Esse gado apresentava o padrão de cores Inkone, considerado nobre e simbólico.
Foto: Nkone Cattle Breeders Society of Zimbabwe
O padrão Inkone incluía:
Linha superior branca interrompida
Cabeça, cauda e patas traseiras salpicadas de branco
Flancos escuros contínuos em vermelho ou preto
Ventre e membros com manchas brancas
Os plebeus eram proibidos de possuir esse gado, e cada regimento Ndebele mantinha rebanhos com padrões específicos de cores, utilizados inclusive para confeccionar escudos e adornos cerimoniais. Entre as cores regimentais mais conhecidas estavam Iwaba, Ilunga, Inco, Ihlati, Hwanqa e Inhlekwane, cada uma associada a um grupo militar distinto. Do ponto de vista zootécnico, o Nkone reúne um conjunto de atributos raros e extremamente desejáveis: Resiliência extrema
Alta tolerância à seca, calor intenso e doenças endêmicas
Baixa exigência de manejo e suplementação
Alimentação eficiente
Capacidade de explorar pastagens naturais (veld)
Consome brotos de árvores, folhas e vagens
Excelente aproveitamento de forragens de baixa qualidade
Reprodução e fertilidade
Matrizes altamente férteis, com produção anual de bezerros
Mantêm desempenho reprodutivo mesmo sob estresse nutricional
Longevidade produtiva elevada
Características físicas
Porte médio
Pelagem variada, frequentemente com pele fortemente pigmentada, o que confere resistência ao sol
Chifres funcionais, que auxiliam na termorregulação
Dados de dois rebanhos localizados em áreas de sourveld na bacia hidrográfica central do norte do Zimbábue mostram números consistentes:
Peso médio ao nascer
Machos: 31 kg
Fêmeas: 28 kg
Peso médio ao desmame (205 dias)
Machos: 154 kg
Fêmeas: 143 kg
A gestação média é de 285 dias, e um ponto-chave da raça é que a distocia é praticamente inexistente. As vacas Nkone controlam naturalmente o tamanho do bezerro, mesmo quando acasaladas com raças maiores, reduzindo perdas e custos veterinários. A Nkone é reconhecida como uma das raças que produzem carne bovina com o menor custo por quilograma por hectare. Esse desempenho é comparável ao de outras raças nativas de porte médio, como a Mashona, tornando o sistema:
Altamente lucrativo em áreas marginais
Ideal para regiões de baixa pluviosidade
Estratégico para sistemas extensivos e de baixo investimento
Além da produção de carne, a raça também pode ser utilizada em pequena escala para produção leiteira e, principalmente, como linha materna em cruzamentos, transmitindo rusticidade, fertilidade e eficiência aos descendentes. Apesar de sua relevância, a população da raça Nkone sofreu forte declínio ao longo do século XX. Na década de 1970, estimava-se um rebanho entre 15.000 e 20.000 cabeças no Zimbábue. Nas últimas décadas, esse número caiu drasticamente, principalmente em função da reforma agrária e da perda de terras por produtores comerciais. Foto: Nkone Cattle Breeders Society of ZimbabweAtualmente, o número exato de animais nos sistemas comunitários e de pequena escala é desconhecido, mas acredita-se que bons exemplares ainda existam em áreas remotas, representando um banco genético extremamente valioso. A retomada da raça é impulsionada por criadores organizados e pela Sociedade de Criadores Nkone do Zimbábue, que atua na preservação, registro e promoção do Nkone como peça-chave para o futuro da pecuária nacional.
Por: Redação
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