• Sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Conheça a agricultura na Groenlândia, a ilha coberta de gelo e alvo de Trump

Mesmo com até 80% do território sob gelo permanente e temperaturas extremas, a agricultura na Groenlândia - maior ilha do mundo - mantém produção agropecuária localizada, concentrada no sul, e entra no radar global por razões que vão além da mineração e da geopolítica.

Mesmo com até 80% do território sob gelo permanente e temperaturas extremas, a agricultura na Groenlândia – maior ilha do mundo – mantém produção agropecuária localizada, concentrada no sul, e entra no radar global por razões que vão além da mineração e da geopolítica. A Groenlândia – maior ilha do mundo – tem ocupado espaço crescente no noticiário internacional nos últimos anos, especialmente após declarações e movimentações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou a ilha como estratégica para interesses militares e econômicos norte-americanos. Rica em minerais críticos essenciais para a eletrificação de veículos e máquinas, a região também desperta atenção pelo impacto das mudanças climáticas no Ártico. Como é a agricultura na Groenlândia? No entanto, um aspecto pouco conhecido chama atenção: há, sim, produção agrícola na Groenlândia, ainda que em escala limitada e altamente condicionada ao clima extremo. Habitadas por cerca de 57 mil pessoas, as áreas produtivas concentram-se quase exclusivamente no sul da ilha, onde os verões são ligeiramente mais longos e menos rigorosos. Aproximadamente 80% do território permanece coberto por uma espessa camada de gelo, mesmo diante do aquecimento dos oceanos e das alterações climáticas globais.
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    Agropecuária adaptada ao Ártico A base produtiva groenlandesa é formada, sobretudo, pela pecuária de ovinos, atividade que se ajustou melhor às condições locais. Os produtores investem na produção de forragem durante o curto verão, garantindo alimento para os animais ao longo do inverno rigoroso. No campo agrícola, batata e nabo lideram o cultivo, acompanhados por repolho e outras hortaliças resistentes ao frio. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Há ainda experiências pontuais com cevada, em pequena escala, e com cultivos protegidos, como morangos em estufas, que se tornam viáveis graças às temperaturas mais amenas no sul durante o verão, quando os termômetros permanecem por mais dias acima de zero . Limites naturais e altos custos da agricultura na Groenlândia Apesar desses avanços, a expansão da agricultura enfrenta barreiras estruturais severas. A área efetivamente “livre de gelo” é restrita, o que limita a disponibilidade de solos agrícolas e concentra a produção em poucas regiões aptas. Além disso, infraestrutura logística, armazenagem, energia e transporte são fatores críticos e de alto custo em ambiente ártico. Especialistas e ambientalistas alertam que ampliar a agricultura em regiões tão frias pode provocar perdas de carbono do solo e impactos sobre a biodiversidade, exigindo planejamento rigoroso e salvaguardas ambientais. Assim, embora o aquecimento global possa alongar períodos produtivos, ele também impõe riscos ecológicos relevantes. Relação comercial com o Brasil No comércio exterior, a Groenlândia mantém relação modesta com o Brasil. As exportações brasileiras concentram-se em produtos florestais, como madeira serrada e cortada em folhas. Em 2024, foram embarcadas 24,2 toneladas, volume que representou queda de 65% em relação a 2023, evidenciando um fluxo comercial ainda restrito e sensível a oscilações de mercado . Muito além do gelo A realidade da agricultura na Groenlândia mostra que, mesmo em um dos ambientes mais extremos do planeta, há espaço para produção de alimentos, desde que altamente adaptada e localizada. Em meio a disputas geopolíticas, mudanças climáticas e desafios ambientais, a agropecuária groenlandesa revela um lado pouco explorado da ilha: o esforço humano para produzir onde o gelo ainda dita as regras.
    Por: Redação

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