• Sábado, 25 de abril de 2026

Com safra recorde à vista, laboratório conclui o 'DNA' dos vinhos do RS em 2026

Estado projeta uma colheita histórica, que pode atingir 905 mil toneladas, um crescimento de até 10% em relação aos ciclos normais

O Rio Grande do Sul deu um passo decisivo para garantir a qualidade e a autenticidade de sua produção vitivinícola. O Laboratório de Referência Enológica Evanir da Silva (Laren), vinculado à Secretaria da Agricultura, concluiu neste mês a microvinificação da safra de 2026, um processo técnico rigoroso que analisou 268 amostras de uvas colhidas em 40 municípios gaúchos.

O trabalho é uma espécie de "DNA da safra", fornecendo dados estratégicos que permitem ao estado fiscalizar e atestar se os vinhos e sucos que chegam ao consumidor são, de fato, genuínos. Com a Serra Gaúcha à frente, o estado projeta uma colheita histórica, que pode atingir 905 mil toneladas, um crescimento de até 10% em relação aos ciclos normais.

Muito além de uma simples análise de laboratório, a microvinificação consiste na produção de pequenos lotes de vinho sob condições estritamente controladas. O processo envolve a retirada manual das bagas, esmagamento e fermentação em escala reduzida.

Segundo a fiscal estadual agropecuária Fernanda Varela Nascimento, responsável pelo projeto, o objetivo é isolar as variáveis da fruta para criar um parâmetro de referência. Através de análises físico-químicas e isotópicas, o laboratório mensura o teor de açúcar, acidez e densidade naturais da safra 2026. Esses dados são comparados com os produtos comerciais para evitar fraudes e garantir que a identidade do vinho gaúcho seja preservada.

O Laren ocupa uma posição de vanguarda tecnológica no Brasil. É a única instituição no país capaz de realizar a análise de água exógena, um método sofisticado que identifica se foi adicionada água ao vinho além daquela que já existe naturalmente na fruta.

O monitoramento da produção é sustentado por um acervo histórico, que inclui um banco de dados com resultados compilados há mais de 20 anos e um acervo físico composto por milhares de garrafas de vinhos genuínos produzidos desde 2004 para servir de comparação em análises cromatográficas. Além disso, a diversidade do trabalho se reflete na análise de 43 variedades nesta safra, com destaque para o monitoramento das uvas Bordô, Isabel e Niágara Branca.

O trabalho técnico realizado em Caxias do Sul reflete diretamente na competitividade das vinícolas gaúchas nos mercados nacional e internacional. Ao assegurar que a produção segue rigidamente a legislação, o estado protege o setor contra a concorrência desleal e eleva o padrão de confiança do consumidor.

Com uma safra 2025/2026 que se destaca tanto pelo volume quanto pela qualidade superior das bagas, os dados gerados pelo Laren consolidam o Rio Grande do Sul como o pilar da vitivinicultura brasileira, unindo a tradição do campo à precisão da alta tecnologia laboratorial.

Por: ITATIAIA

Artigos Relacionados: