A cota de carne bovina brasileira destinada à China já está 65% preenchida, segundo dados compilados pela Terra Investimentos. O índice considera tanto o volume que já passou pelas alfândegas chinesas quanto as cargas que estão atualmente em trânsito. De acordo com dados da Terra e da alfândega chinesa (GACC), o Brasil lidera isolado o ranking de fornecedores, mantendo um ritmo que pode esgotar o limite tarifário antes do previsto.
Entre janeiro e março de 2026, a China importou globalmente 512,03 mil toneladas de carne bovina brasileira, o que representa o consumo efetivo de 46% da cota anual de 1,106 milhão de toneladas. Para se ter dimensão da liderança brasileira, o volume exportado pelo Brasil no trimestre é mais que o triplo do registrado pela Argentina (140,5 mil toneladas) e quase cinco vezes superior ao da Austrália (105,27 mil toneladas).
A análise logística detalhada pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) aponta que cerca de 205 mil toneladas foram embarcadas entre fevereiro e março e devem ser desembaraçadas nos portos chineses até maio. Ao somar esses carregamentos em trânsito aos volumes já nacionalizados, o comprometimento da cota salta para 717,03 mil toneladas, restando apenas 35% do total disponível para o restante do ano.
Especialistas indicam que, se mantida a média mensal de importação registrada no primeiro trimestre, o limite total de 1,106 milhão de toneladas deve ser atingido na primeira quinzena de julho. No entanto, caso os embarques já realizados sejam processados rapidamente ou ocorra uma nova aceleração nas compras chinesas, o esgotamento pode ser antecipado para o final de junho.
O cenário de alta demanda chinesa coloca pressão sobre os exportadores brasileiros. Com o provável preenchimento precoce da cota, o fluxo de vendas para o segundo semestre exigirá um planejamento logístico e comercial muito mais rigoroso. Enquanto outros competidores possuem fatias menores — como os Estados Unidos, que utilizaram apenas 0,20% de sua cota de 164 mil toneladas —, o Brasil opera no limite da sua capacidade de exportação para o gigante asiático.
Essa aceleração reforça a dependência mútua entre a produção pecuária brasileira e o consumo chinês, mas também acende um alerta para a necessidade de estratégias que garantam a continuidade das operações após o encerramento da cota preferencial, visando manter o equilíbrio na balança comercial e o atendimento a um dos mercados mais relevantes para o agronegócio nacional.





