O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, solicitou nesta semana um novo visto para entrada nos Estados Unidos depois de sua autorização anterior vencer no final de maio. A informação foi confirmada pelo Poder360. O pedido foi encaminhado em um momento de tensões diplomáticas entre Brasil e EUA, que resultaram no cancelamento de vistos de autoridades brasileiras pelo governo do presidente Donald Trump (Partido Republicano).
Há intenção de Haddad de participar da Semana do Clima de Nova York, marcada para setembro, embora sua presença ainda não tenha confirmação oficial. O evento reúne líderes mundiais de governos e do setor empresarial para discussões sobre mudanças climáticas.
O governo Trump revogou vistos de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e familiares do ministro da Saúde, Alexandre Padilha e de funcionários ligados ao programa Mais Médicos.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, confirmou, em 18 de agosto, a revogação do visto do ministro Alexandre de Moraes e de “aliados no Tribunal e familiares”. O ministro Gilmar Mendes, decano do STF, fez piada sobre o episódio.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, também teve seu visto cancelado pelos norte-americanos –embora não tenha sido oficialmente confirmado.
O Ministério das Relações Exteriores já havia encaminhado, em 19 de agosto, um pedido de visto para Padilha, que pretende participar de eventos da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) e da Assembleia Geral da ONU em setembro. O visto do ministro expirou em 2024.
As medidas americanas se concentraram principalmente em autoridades ligadas ao Mais Médicos. Em 13 de agosto, o Departamento de Estado revogou vistos de funcionários e ex-funcionários do governo brasileiro veiculados ao programa.
O presidente Lula classificou as ações como “vergonhosas” e “inaceitáveis” durante reunião ministerial na 3ª feira (26.ago). “Eu acho que é vergonhoso para eles e não para você”, disse a Lewandowski, prestando solidariedade às autoridades afetadas.
Na 5ª feira (28.ago), Lula autorizou a abertura do processo para aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica contra os EUA, em reação às tarifas de 50% de Trump sobre produtos brasileiros. A Camex tem 30 dias para definir contramedidas. O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin (PSB), disse esperar que a medida “acelere o diálogo” com os norte-americanos.