• Terça-feira, 7 de abril de 2026

Colheita de mel no RS se aproxima do fim com queda na produtividade

Menor oferta de néctar reduz produção em regiões; manejo das colmeias é intensificado

A colheita de mel se aproxima do fim no Rio Grande do Sul. Este ano, ocorreu uma redução gradual da entrada de néctar e, consequentemente, uma redução da produtividade em parte das regiões. Segundo o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar, os produtores estão intensificando os manejos voltados à preparação das colmeias para o período de escassez, incluindo controle de enxameação e organização dos apiários. Em algumas áreas, ainda há boa atividade das abelhas e resultados produtivos satisfatórios.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, os apiários apresentam boas condições sanitárias, e há registro de entrada de néctar e pólen provenientes de espécies de campo nativo e de algumas espécies de eucalipto. Na região de Caxias do Sul, o tempo predominantemente seco favoreceu o trabalho das abelhas campeiras. A entrada de néctar diminuiu de forma considerável, reduzindo a postura das rainhas e resultando em enxames menos populosos. Os produtores que realizaram a colheita de mel no período observaram menor produtividade.

Já nas Regiões de Ijuí e Frederico Westphalen, a colheita de mel se aproxima do fim, e os apicultores realizam o manejo das colmeias, preparando-as para o período de escassez de floradas e de temperaturas mais baixas. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Porto Alegre, as condições climáticas favoráveis e a disponibilidade de alimento têm contribuído para uma boa produção de mel, mantendo os enxames fortes e favorecendo as multiplicações.

A redução gradual das floradas causa menor acúmulo de mel na região de Passo Fundo, onde destacam-se as floradas de carqueja, mata-campo, eucalipto e cipós. Já na região de Pelotas, em Amaral Ferrador e Pinheiro Machado, confirmou-se produção superior à do ano anterior. Observa-se elevada atividade dos enxames e intensificação da enxameação, indicando bom desenvolvimento das colmeias. No Chuí e em Piratini, a extração de mel está em andamento. Na região de Porto Alegre, a produção de mel está elevada devido à maior movimentação das abelhas e da entrada de néctar nas colmeias.

A comercialização de mel de Jataí em municípios como Santo Antônio da Patrulha já começou, com o quilo vendido por R$ 230,00. Os preços dependem da espécie produtora e da oferta na região. A própolis também começa a ganhar destaque comercial, e alguns meliponicultores estão produzindo extrato de própolis de abelhas sem ferrão, indicando potencial de crescimento devido aos compostos bioativos e aos benefícios à saúde.

No estado, a colheita da soja avança de forma acelerada, mas ainda condicionada pela ocorrência de precipitações irregulares, que, em parte, retardaram as operações, mas contribuíram para a manutenção do potencial produtivo das lavouras em fases reprodutivas tardias.

A área colhida evoluiu de forma contínua e intensa, incluindo a ampliação das jornadas para a noite, em resposta à elevada concentração de lavouras em ponto de maturação. A colheita abrange cerca de 23% da área cultivada. A produtividade média revista na segunda quinzena de fevereiro pela Emater/RS-Ascar está estimada em 2.871 kg/ha, e a área cultivada em 6.624.988 hectares.

Já a colheita de milho alcança 76% da área cultivada. As lavouras maduras totalizam 13%, e uma pequena proporção ainda está em estágios reprodutivos e vegetativos, principalmente em cultivos tardios de safrinha. O ritmo de colheita desacelerou, em função do redirecionamento das operações e da logística das unidades recebedoras para a cultura da soja.

De modo geral, as lavouras implantadas na época preferencial apresentam produtividades satisfatórias. Já as áreas submetidas a restrição hídrica registram redução no número de grãos por espiga e menor peso final. As chuvas recentes favoreceram as lavouras tardias em enchimento de grãos, contribuindo para a definição do rendimento, mas sem reverter perdas previamente estabelecidas. A Emater/RS-Ascar estima a área cultivada em 803.019 hectares, e produtividade média em 7.424 kg/ha.

A colheita do milho destinado à silagem se encontra em fase avançada, abrangendo aproximadamente 80% da área cultivada. As operações evoluem de forma relativamente contínua, condicionadas por algumas precipitações, que interferiram no ritmo de corte e na adequada compactação e vedação dos silos.

As condições climáticas do período contribuíram para a manutenção do desempenho das áreas ainda em desenvolvimento, especialmente aquelas em fase de enchimento de grãos. A estimativa da Emater/RS-Ascar indica área de 345.299 hectares e produtividade média de 37.840 kg/ha.

A colheita do feijão 1ª safra foi finalizada na maioria das regiões produtoras e, no momento, se concentra nas regiões de maior altitude, como na Região Nordeste do estado, onde o cultivo ocorreu de forma mais tardia, aproximando-se do calendário da segunda safra.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, a colheita atinge 50% da área cultivada, e há redução no rendimento de grãos em relação à expectativa inicial. A produtividade média observada está em torno de 1.200 kg/ha, significativamente inferior aos 2.400 kg/ha projetados no início do ciclo. Para o Estado, a Emater/RS-Ascar projeta área de 23.029 hectares e produtividade média de 1.781 kg/ha.

Já a cultura do feijão 2ª safra apresenta desenvolvimento predominantemente em estádios reprodutivos, e parte das áreas ingressam em colheita. As condições meteorológicas do período, caracterizadas por maior frequência de precipitações e manutenção de temperaturas elevadas, favoreceram a retomada do crescimento vegetativo e a sustentação dos processos reprodutivos, refletindo no apropriado estabelecimento de vagens e enchimento de grãos.

As produtividades observadas nas primeiras áreas colhidas confirmam, até o momento, os níveis esperados, indicando desempenho adequado da cultura nessa etapa do ciclo. A Emater/RS-Ascar projeta área de 7.774 hectares e produtividade média de 1.504 kg/ha.

A colheita do arroz irrigado avançou de forma consistente, beneficiada por períodos secos e chuvosos, mas de baixa intensidade, o que permitiu a continuidade das operações, apesar das interrupções localizadas. Metade da área cultivada foi colhida.

A maior parte das lavouras remanescentes se encontra em estágio de maturação, com pequena proporção ainda em enchimento de grãos. As produtividades observadas nos talhões colhidos estão, em geral, elevadas, refletindo condições climáticas favoráveis ao longo do ciclo, em especial no estabelecimento e desenvolvimento vegetativo.

Entretanto, oscilações térmicas durante a fase reprodutiva e episódios pontuais de excesso de umidade têm potencial de impactar a qualidade industrial e o rendimento de grãos nas áreas ainda por colher. A área cultivada é de 891.908 hectares (Instituto Riograndense do Arroz - Irga). A produtividade está projetada em 8.744 kg/ha, segundo a Emater/RS-Ascar.

Por: Redação

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