• Terça-feira, 7 de abril de 2026

PF diz que não recebeu da polícia do RJ todas as imagens da megaoperação

Andrei Rodrigues enviou ofício ao ministro Alexandre de Moraes sobre ação policial de outubro de 2025 que deixou 122 mortos.

A Polícia Federal disse ao Supremo Tribunal Federal que a Polícia Militar do Rio de Janeiro não enviou as gravações das câmeras corporais dos agentes que atuaram na operação Contenção. A ação policial aconteceu em outubro de 2025 e deixou 122 mortos. A informação consta em um ofício encaminhado ao STF pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, nesta 2ª feira (6.abr.2026).

“Verificou-se a incompletude do acervo probatório recebido, o qual refere-se exclusivamente às imagens captadas pelas câmeras corporais dos agentes da CORE/PCERJ, sendo que, até o presente momento, não foi recebido qualquer acervo audiovisual rela o às equipes da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), que atuaram na operação com efetivo significativamente maior e número substancialmente superior de dispositivos de gravação corporal”, escreveu Andrei. 

O ofício foi endereçado ao ministro Alexandre de Moraes, relator da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 635, conhecida como a ADPF das Favelas. Eis a íntegra (PDF – 989 kB). 

No mesmo documento, Rodrigues solicitou ampliação do prazo para finalizar a análise pericial das imagens que foram enviadas pela Polícia Militar. Moraes havia dado 15 dias para a PF verificar as imagens, em 17 de março. 

O diretor-geral da PF, por sua vez, afirmou que uma equipe composta por 10 peritos federais foi designada para examinar o material recebido. Rodrigues afirmou que, “à luz das condições atualmente verificadas”, não é possível completar o trabalho no período de 15 dias determinado pelos ministros da Corte. O volume de gravações ultrapassa 400 horas. A Polícia pediu 90 dias para finalizar a perícia. 

Ainda segundo o ofício, a corporação recebeu exclusivamente imagens captadas pelas câmeras instaladas nas fardas de policiais da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) e de outras unidades da Polícia Civil. O órgão federal não teve acesso às gravações do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), unidade da Polícia Militar que mobilizou o maior contingente de agentes durante a operação.

Andrei Rodrigues destacou que o prosseguimento da investigação está condicionado ao envio do material pendente. A conclusão da perícia e sua anexação ao processo que tramita no STF dependem do recebimento das imagens faltantes.

Esta não é a 1ª vez que a PF tem dificuldades em acessar os vídeos da operação. Em fevereiro deste ano, a Polícia afirmou não conseguir baixar e, consequentemente, realizar a perícia dos 945 arquivos enviados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.

O diretor-substituto da PF, William Marcel Murad, pediu que a Polícia Civil do RJ enviasse o material em mídia física. Afirmou também que seria necessário receber o aplicativo, software correspondente aos arquivos, caso eles sejam proprietários e não reprodutíveis em players comerciais. Ainda solicitou a Moraes uma extensão de tal prazo, considerando o “grande volume indicado de arquivos”.

A megaoperação Contenção foi deflagrada em 28 de outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha, áreas densamente povoadas da zona norte da capital fluminense. As regiões são historicamente marcadas por confrontos entre forças de segurança e grupos criminosos. 

A ação mirou a facção CV (Comando Vermelho). Ao todo, morreram 122 pessoas, incluindo 5 policiais. É considerada a operação mais letal do país, ultrapassando o número de mortos registrados na operação Carandiru, em 1992.

Em abril de 2025, o STF estabeleceu critérios para diminuir a letalidade policial na capital fluminense. O conjunto de regras foi definido no julgamento da ADPF das Favelas. 

A ação foi protocolada pelo PSB em 2019, sob o argumento de que a segurança pública do Rio viola princípios constitucionais e direitos fundamentais, como dignidade da pessoa humana, vida e segurança.

A Corte havia estabelecido o seguinte para o Estado do Rio de Janeiro:

Os magistrados, em voto conjunto, reconheceram a violação de direitos humanos por parte das organizações criminosas que, segundo eles, “se apossam de territórios e cerceiam direitos de locomoção da população e das forças de segurança”.

Após a megaoperação do dia 28 de outubro, entidades como o Ministério Público Federal e a DPU (Defensoria Pública da União) questionaram o então governador Cláudio Castro (PL) sobre o cumprimento das determinações da Corte.

Por: Poder360

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