• Sexta-feira, 27 de março de 2026

China inicia duas investigações comerciais contra os EUA

Governo Xi vai apurar as motivações das barreiras norte-americanas aplicadas sobre produtos chineses de alta tecnologia.

O Ministério do Comércio da China informou nesta 6ª feira (27.mar.2026) que iniciou duas investigações contra barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. Ambos os processos terão duração de 6 meses e podem resultar em tarifas contra empresas norte-americanas e restrições para companhias chinesas negociarem com os EUA.

A 1ª investigação mira tentativas de restringir ou proibir a entrada de produtos chineses nos EUA ou exportação de produtos de alta tecnologia para a China. Eis a íntegra do comunicado (PDF – 51 kB, em inglês). O 2º processo é semelhante, mas focado no tratamento dado para entrada ou saída de produtos relacionados ao setor de transição energética. Eis a íntegra (PDF – 51 kB, em inglês).

“Evidências e informações preliminares obtidas pelo Ministério do Comércio indicam que os Estados Unidos implementaram inúmeras práticas e medidas em áreas relacionadas com o comércio que perturbam gravemente as cadeias de abastecimento globais”, diz o governo chinês.

As investigações chinesas foram lançadas duas semanas depois de os EUA incluírem a China em uma investigação sobre trabalho forçado. Outros 59 países– dentre eles o Brasil– também estão nesse processo.

A apuração norte-americana se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A legislação permite que os EUA respondam a práticas de governos estrangeiros consideradas prejudiciais ao seu comércio.

No dia seguinte ao anúncio norte-americanos, a China protestou sobre sua inclusão no processo. Disse que a investigação é “arbitrária” e foi motivada para “fins protecionistas”.

Os EUA lançaram a apuração menos de 1 mês depois de a Suprema Corte decidir que parte das tarifas globais movidas pelo presidente Donald Trump (Partido Republicano) era ilegal.

As investigações reacendem a guerra comercial entre EUA e China, que estava adormecida desde o final do ano passado.

Os países concordaram com uma trégua em outubro e Trump deveria se encontrar com o presidente chinês Xi Jinping (Partido Comunista da China) no final deste mês para uma nova rodada de negociações.

O encontro entre os líderes foi adiado por causa da guerra dos EUA contra o Irã. A Casa Branca informou que Trump irá a Pequim em 14 de maio.

Na 5ª feira (26.mar), o ministro do Comércio da China, Wang Wentao, se reuniu com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, em Camarões. Em comunicado, o ministério informou que as partes reafirmaram os compromissos firmados no final do ano passado e que a China mantém interesse em estreitar suas relações comerciais com os EUA.

Por: Poder360

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