China aperta importações e testa o mercado do boi gordo
Mesmo com a cota chinesa abaixo do volume exportado em 2025, competitividade do boi brasileiro e operações de arbitragem sustentam os embarques e influenciam o mercado da arroba.
Mesmo com a cota chinesa abaixo do volume exportado em 2025, competitividade do boi brasileiro e operações de arbitragem sustentam os embarques e influenciam o mercado da arroba. O mercado físico do boi gordo iniciou a semana com leve recuo nas praças pecuárias monitoradas. Tocantins obteve destaque, com queda de 0,28% em relação ao dia anterior, com a arroba cotada em média a R$ 295,87. No mercado futuro, a B3 encerrou com cenário de estabilidade: o contrato com vencimento em jan/26 avançou 0,30% no comparativo diário, negociado a R$ 319,20/@. A primeira semana de janeiro iniciou com novo recorde. Foram embarcadas 89,30 mil toneladas de carne bovina in natura, configurando o maior volume já registrado para uma primeira semana de janeiro. O preço médio da tonelada exportada apresentou recuo de 1,37% frente à semana anterior, ficando cotada a US$ 5,52 mil. A receita total acumulada na primeira semana de jan/26 alcançou US$ 493 milhões, praticamente o dobro do mesmo período de 2025, com incremento anual de 99,67%. O mercado físico do boi gordo apresenta manutenção do padrão dos negócios em diversas regiões do país, com diversos frigoríficos, em especial os de maior porte, ainda ausentes da compra de gado, avaliando as melhores estratégias a serem adotadas no curto prazo. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});“A preocupação em torno das exportações segue presente no mercado, reflexo da salvaguarda chinesa anunciada na virada de ano. A expectativa é que em 2026 o volume de embarques seja inferior se comparado ao ano passado”, indica o consultor de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias. Preços médios do boi gordo São Paulo: R$ 320,00 Goiás: R$ 312,50 — R$ 312,14 Minas Gerais: R$ 313,53 — R$ 314,12 Mato Grosso do Sul: R$ 311,84 — R$ 311,66 Mato Grosso: R$ 296,86 — R$ 296,95 Apesar do desempenho robusto das exportações, o mercado passa a incorporar no radar as recentes medidas de salvaguarda adotadas pela China, principal destino da carne bovina brasileira. O governo chinês estabeleceu uma cota anual de importação de 1,1 milhão de toneladas, volume significativamente inferior ao embarcado pelo Brasil em 2025, quando os envios ao país asiático alcançaram cerca de 1,6 milhão de toneladas. Na prática, a restrição representa uma perda potencial próxima de 500 mil toneladas, o que tende a reconfigurar o fluxo do comércio internacional e gerar ajustes na estratégia dos frigoríficos brasileiros. Segundo a fundadora da Agrifatto, Lygia Pimentel, o impacto direto da cota chinesa não elimina, necessariamente, a competitividade do Brasil no mercado global. Ela destaca que, em 2025, houve uma operação intensa de arbitragem, favorecida pelo fato de a carne brasileira estar entre as mais baratas do mundo. “O Brasil hoje é o único mercado com boi precificado abaixo de US$ 60 por arroba. Isso mantém o país extremamente competitivo”, afirma. Nesse contexto, a carne brasileira pode continuar sendo exportada para mercados como Argentina e Uruguai, abastecendo o consumo interno desses países, enquanto a carne local dessas nações segue para a China dentro das cotas disponíveis. Lygia ressalta ainda que esse movimento não se trata de triangulação irregular, mas de uma dinâmica de mercado viabilizada pela competitividade do boi brasileiro. Outro ponto relevante é o critério adotado pela China, que considera a data de desembarque, e não a de embarque, para efeito da cota.
Assim, volumes expressivos que chegaram aos portos chineses em janeiro de 2026 foram embarcados ainda em 2025, o que gerou preocupação inicial dos frigoríficos quanto a possíveis cortes na produção. No entanto, a analista avalia que esse descasamento tende a se repetir nos próximos ciclos, diluindo os efeitos das salvaguardas ao longo do tempo. Diante desse cenário, a expectativa é de que as medidas chinesas tragam desafios pontuais, mas não comprometam de forma estrutural a produção e as exportações brasileiras de carne bovina. A combinação entre forte demanda externa, competitividade do boi gordo no mercado internacional e alternativas logísticas e comerciais deve continuar sustentando o escoamento da produção, enquanto o mercado interno segue atento aos desdobramentos sobre preços e margens da pecuária.
Por: Redação





