• Quarta-feira, 3 de junho de 2026

Café solúvel brasileiro pode enfrentar tarifa de 25% nos EUA e setor acende alerta

Proposta do governo norte-americano prevê aumento da taxação sobre o café solúvel a partir de julho; indústria teme impactos nas exportações e na cadeia produtiva do Brasil.

O café brasileiro voltou ao centro das discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Uma proposta apresentada pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) prevê elevar de 10% para 25% a tarifa aplicada sobre as importações de café solúvel brasileiro a partir de 15 de julho de 2026. A medida ainda está em análise, mas já preocupa representantes da cadeia cafeeira nacional.

A preocupação foi manifestada pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), que acompanha as negociações e avalia os possíveis impactos para um segmento que agrega valor à produção nacional e possui forte presença no mercado internacional.

Maioria dos cafés brasileiros ficou fora da proposta

Apesar do alerta envolvendo o café solúvel, o setor recebeu uma notícia positiva. A lista preliminar divulgada pelo USTR excluiu diversos produtos do café da nova taxação.

Entre os itens que permaneceram fora da proposta estão:

  • Café verde;
  • Café torrado;
  • Café descafeinado;
  • Cascas e películas do café;
  • Diversos extratos e concentrados derivados do produto.
  • Na avaliação da BSCA, a manutenção dessas exceções representa um importante alívio para o setor exportador brasileiro, já que a maior parte dos embarques de café continua preservada das novas tarifas.

    Café solúvel concentra preocupação da indústria

    O principal temor está justamente no impacto sobre a indústria de café solúvel, segmento em que o Brasil possui posição estratégica no mercado internacional.

    Segundo a entidade, uma tarifa de 25% reduziria a competitividade do produto brasileiro nos Estados Unidos, podendo provocar retração nas vendas e afetar toda a cadeia produtiva ligada ao processamento industrial do café.

    Além das indústrias exportadoras, o reflexo pode atingir produtores, cooperativas, trabalhadores e empresas envolvidas na logística e comercialização do produto.

    Negociações continuam até julho

    A proposta ainda não é definitiva. O processo regulatório norte-americano segue em andamento e terá uma etapa importante no dia 6 de julho, quando o USTR realizará uma audiência para discutir a medida. Somente após essa fase será definida a aplicação ou não da nova tarifa.

    Enquanto isso, a BSCA informou que continuará dialogando com o governo brasileiro, representantes do setor e autoridades norte-americanas para tentar ampliar a lista de exceções e garantir que o café solúvel também fique livre da taxação adicional.

    O que está em jogo para o agro brasileiro

    Os Estados Unidos estão entre os principais destinos dos produtos industrializados derivados do café brasileiro. Qualquer aumento de tarifa pode reduzir a competitividade nacional justamente em um momento de forte valorização do café no mercado global.

    Embora a maior parte dos cafés exportados pelo Brasil tenha sido preservada na proposta inicial, a possível taxação do café solúvel mantém o setor em estado de atenção, já que a decisão pode influenciar investimentos, contratos futuros e a estratégia comercial das empresas brasileiras nos próximos meses.

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    Por: Redação

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