• Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Boi gordo decola e registra negócios a R$ 355/@; pecuarista dita os rumos do mercado

Com oferta restrita, escalas curtas e exportações aquecidas, arroba do boi gordo dispara em São Paulo e produtores ganham força nas negociações com frigoríficos

Com oferta restrita, escalas curtas e exportações aquecidas, arroba do boi gordo dispara em São Paulo e produtores ganham força nas negociações com frigoríficos O mercado físico do boi gordo vive um dos momentos mais firmes de 2026. Em meio à oferta enxuta de animais terminados, boas condições de pastagem e exportações em ritmo acelerado, a arroba rompeu novos patamares e já registra negócios pontuais a R$ 355/@ à vista em São Paulo, consolidando um cenário em que o pecuarista dita o ritmo das negociações. Levantamento da Agrifatto identificou, nesta quinta-feira (19), operações envolvendo boiadas gordas a R$ 355/@, com pagamento à vista no mercado paulista . Apesar do baixo volume ainda não permitir que o valor se firme como referência oficial, o movimento reforça a tendência de valorização observada nas principais praças do País.
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  • Indicadores confirmam sequência de alta no mercado do boi gordo O Indicador do Boi Datagro fechou São Paulo em R$ 344,56/@, o maior valor do ano até o momento . Em outras regiões produtoras, como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, as negociações giram próximas de R$ 325/@, em média . window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Além do mercado físico, o ambiente positivo também se reflete na B3. O contrato futuro para março chegou próximo de R$ 350/@, sinalizando expectativa de continuidade do movimento altista . Segundo análise da Datagro, trata-se de uma alavancagem firme em relação à semana anterior, impulsionada principalmente pela oferta mais restrita de animais prontos para abate . Oferta curta fortalece o produtor A restrição de oferta é hoje o principal combustível da alta. A indústria frigorífica enfrenta dificuldades na composição das escalas de abate, o que sustenta reajustes sucessivos na arroba . As programações de abate no Brasil cobrem, em média, apenas cinco a seis dias corridos, patamar considerado baixo para o período . Ao mesmo tempo, há menor participação de fêmeas nas escalas desde janeiro, reduzindo ainda mais a disponibilidade de animais terminados . Outro fator determinante é o clima. O regime de chuvas no início de 2026 favoreceu as pastagens, permitindo que o produtor retenha o gado a pasto e venda de forma cadenciada . Com isso, o pecuarista ganha poder de barganha e consegue negociar com maior firmeza. Cotações médias da arroba nas principais praças Dados recentes apontam que a média da arroba já supera R$ 350 em São Paulo, com avanço também em outros estados :
  • São Paulo: R$ 355,00
  • Goiás: R$ 331,43
  • Minas Gerais: R$ 335,88
  • Mato Grosso do Sul: R$ 332,61
  • Mato Grosso: R$ 326,22
  • Esses números evidenciam um mercado sustentado não apenas por negócios pontuais, mas por uma tendência mais ampla de valorização. Mercado atacadista e consumo interno No atacado, os preços registraram leve alta, com o quarto dianteiro cotado a R$ 20,00/kg (alta de R$ 0,50), enquanto o traseiro permanece em R$ 26,50/kg e a ponta de agulha em R$ 19,50/kg . A carcaça casada no atacado paulista gira em torno de R$ 23/kg , sustentada pelo consumo aquecido durante o Carnaval e pelo retorno das aulas, que tradicionalmente reforça a demanda. Apesar disso, analistas alertam que a carne bovina ainda enfrenta concorrência direta de proteínas mais baratas, especialmente o frango . Exportações seguem aquecidas Se no mercado interno o consumo mostra estabilidade, no cenário externo o desempenho é expressivo. As exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada somaram US$ 765,369 milhões em fevereiro (até 10 dias úteis), com média diária de US$ 76,537 milhões . O volume embarcado atingiu 136,8 mil toneladas, com média diária de 13,68 mil toneladas e preço médio de US$ 5.594,80 por tonelada . Na comparação com fevereiro de 2025, houve:
  • Alta de 63,1% no valor médio diário exportado
  • Avanço de 43,7% na quantidade média diária
  • Ganho de 13,5% no preço médio
  • Esse cenário reforça o suporte estrutural aos preços da arroba e contribui para a sustentação do ciclo de valorização. Novo ciclo de alta? Consultorias apontam que fevereiro começou em ritmo acelerado e pode sinalizar um novo ciclo de valorização em 2026 . O desequilíbrio entre oferta ajustada e demanda consistente reacende discussões sobre o comportamento do ciclo pecuário neste ano .
    Por: Redação

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